O procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou formalmente sua manifestação ao Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) para rebater ilações decorrentes de relatórios confeccionados pela Polícia Federal. No documento dirigido ao órgão colegiado, o chefe do Ministério Público da União refutou de forma categórica qualquer tentativa de interferência ou favorecimento ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, defendendo a plena legitimidade de sua continuidade à frente das investigações.

Defesa de independência e questionamentos a atos policiais

A controvérsia ganhou tração após citações ao seu nome constarem em procedimentos analíticos da corporação policial. Em sua defesa formal, Gonet sustentou que eventuais manobras destinadas a criar constrangimentos institucionais não possuem amparo jurídico para forçar a sua suspeição ou o seu afastamento dos processos relacionados ao banco. De acordo com o procurador-geral, a própria origem das apurações contra a cúpula do órgão apresenta contornos de ilegalidade.

Ao esmiuçar o histórico de contato com Vorcaro, Gonet esclareceu ter encontrado o banqueiro em uma única oportunidade. O episódio ocorreu em solo estrangeiro, durante um fórum de debates realizado em Londres que contou com a presença de expressivas autoridades dos Poderes Judiciário e Executivo. O chefe da PGR destacou que, na ocasião daquele compromisso profissional, não existia nenhum indicativo público ou investigação oficial sobre irregularidades envolvendo a instituição financeira.

Detalhes do relatório e tensão no Supremo Tribunal Federal

Embora trechos do material policial citaram a presença de familiares e a participação em momentos sociais do evento corporativo, a própria documentação da Polícia Federal atesta que o empresário não detinha sequer o contato telefônico direto de Gonet. As mensagens captadas pelos investigadores indicam arranjos do banqueiro com terceiros para tentar influenciar apurações, sem que tenha havido qualquer participação do titular do Ministério Público Federal.

A peça defensiva também reservou críticas contundentes à determinação exarada pelo ministro André Mendonça, integrante do Supremo Tribunal Federal, que ordenou a confecção do levantamento da PF. Para Gonet, a medida acolheu indicativos investigativos sem a prévia consulta ao Ministério Público, provocando um ruído institucional desnecessário ao tentar vincular a chefia da PGR a condutas desabonadoras.

Deliberação iminente no colegiado do MPF

A responsabilidade por analisar a matéria no CSMPF está sob a relatoria do subprocurador-geral Francisco de Assis Sanseverino, responsável por supervisionar matérias de cunho criminal na instituição. O plenário do Conselho Superior agendou para o dia 25 de setembro a apreciação final do caso, momento em que será votada a manutenção de Gonet na condução dos procedimentos do Banco Master.

O episódio instaurou um clima de cautela nos bastidores da Procuradoria-Geral da República, onde membros de instâncias superiores acompanham com atenção o desdobramento do procedimento e as recentes movimentações jurídicas propostas para contestar as diligências policiais.