A Organização das Nações Unidas (ONU) inicia a escolha de seu novo secretário-geral em um período de intensa pressão e desafios globais. A atual gestão de António Guterres, que termina em 31 de dezembro, deixa um legado em tempos de conflitos e críticas à eficácia da entidade em resolver crises internacionais.
Na última quinta-feira, foi realizada a primeira votação informal no Conselho de Segurança, que consiste em 15 países-membros, incluindo potências com poder de veto como Estados Unidos, Rússia e China. Este processo inicial busca medir o apoio aos candidatos na corrida pela sucessão de Guterres, que assume oficialmente o cargo em 1º de janeiro de 2027.
Como funciona a Escolha do Novo Secretário-Geral
A seleção do novo secretário-geral começa no Conselho de Segurança, onde os membros realizam votações informais conhecidas como “straw polls”. Cada país pode apoiar, desencorajar ou permanecer neutro em relação aos candidatos. Para que um candidato avance, ele precisa de pelo menos nove votos favoráveis e não pode receber veto dos cinco membros permanentes do conselho.
Principais Candidatos
Entre os nomes destacados para suceder Guterres estão:
- Michelle Bachelet: ex-presidente do Chile e ex-alta comissária para Direitos Humanos.
- Rafael Grossi: diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
- Rebeca Grynspan: ex-vice-presidente da Costa Rica e atual líder da UNCTAD.
- María Fernanda Espinosa: ex-chanceler do Equador e ex-presidente da Assembleia Geral da ONU.
- Carolyn Rodrigues-Birkett: representante da Guiana nas Nações Unidas.
- Macky Sall: ex-presidente do Senegal, que liderou o país de 2012 a 2024.
A Relevância da Eleição em um Cenário Global Complexo
A escolha do novo secretário-geral vai além da troca de liderança; ela representa uma oportunidade para a ONU reafirmar sua importância no cenário mundial. Desde sua criação em 1945, a organização tem como objetivo promover a paz e a cooperação, mas tem enfrentado desafios significativos diante de guerras em regiões como a Ucrânia e a Faixa de Gaza.
O cientista político Gustavo Menon destaca que a eleição é crucial para avaliar a capacidade da ONU em restaurar sua legitimidade política em tempos de crise do multilateralismo. Ele observa que a disputa por um novo líder será um reflexo das direções que os países desejam tomar em relação à organização.
Desafios e Críticas à ONU
A ONU, embora continue sendo o principal fórum internacional de diálogo, enfrenta dificuldades para cumprir sua missão de prevenir conflitos. A crítica recai sobre a paralisia do Conselho de Segurança, onde decisões muitas vezes ficam bloqueadas devido ao poder de veto dos membros permanentes.
Os desafios se intensificam à medida que líderes globais, como o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, clamam por reformas que reflitam as novas dinâmicas de poder. A pressão por uma reestruturação da ONU é um tema recorrente, com a necessidade de adaptar a entidade a um mundo em constante mudança.
O Papel do Novo Secretário-Geral
Embora o secretário-geral possua uma posição proeminente, seu poder é limitado, não podendo impor decisões diretamente. Sua função principal é mediar conflitos e representar a ONU em questões globais. A expectativa é que o novo líder traga uma abordagem que equilibre reformas necessárias com a manutenção do diálogo entre as nações.
Considerações Finais
À medida que o processo avança, a escolha do novo secretário-geral se torna um teste essencial para a ONU, refletindo não apenas as esperanças das nações-membros, mas também a urgência de um novo tipo de liderança em um mundo repleto de incertezas e desafios.




