E-mail do CEO provoca reações adversas entre clubes

Um comunicado enviado pelo CEO da Sports Media, Bruno Pimenta, sugerindo que a empresa mantinha um canal direto com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), provocou uma onda de indignação entre os clubes da Futebol Forte União (FFU). O conteúdo da mensagem, que visava a tranquilizar as entidades, teve o efeito inverso, gerando uma série de reações contrárias.

Na sexta-feira (26/6), após a decisão do Cade que impediu a Sports Media de dificultar a saída de clubes do bloco, Pimenta emitiu uma nota esclarecendo que sua equipe jurídica estava em contato com os conselheiros do Cade. Em sua mensagem, ele expressou surpresa com a medida, que muitos dirigentes interpretaram como uma tentativa de influência sobre o órgão regulador.

Reações dos clubes e cobranças de responsabilidade

O descontentamento se intensificou ao longo do fim de semana, quando vários presidentes e executivos de clubes das Séries A, B e C se manifestaram em resposta ao e-mail. Um dos primeiros a se pronunciar foi Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá, que questionou a postura da Sports Media em relação ao Cade e a responsabilidade da empresa na criação de problemas jurídicos.

  • “Desde o início, vocês não quiseram submeter o projeto ao Cade”, afirmou Dresch, enfatizando as falhas na abordagem da Sports Media.
  • A direção do Atlético-GO também responsabilizou a empresa, dizendo que a estrutura proposta trouxe consequências negativas para os clubes.
  • O presidente do Ceará, João Paulo Silva, expressou apoio unânime entre os clubes em relação à questão.

Além disso, Fábio Pizzamiglio, do Juventude, deixou claro que não aceitará arcar com custos gerados por irregularidades que não foram causadas por sua equipe. A convocação de uma assembleia para discutir a situação emergiu como uma demanda comum entre os clubes.

Parecer jurídico acirra os ânimos

A crescente insatisfação foi catalisada pela divulgação de um parecer jurídico encomendado por três clubes da FFU a um escritório de advocacia renomado, que apontou que as regras atuais restringem a concorrência de maneira ilegítima. O documento destaca que a Sports Media, apesar de possuir apenas 20% dos direitos, exerce controle significativo sobre as decisões do bloco, o que levanta preocupações sobre a legalidade do arranjo.

O parecer também critica uma cláusula que amarra os clubes ao acordo por 50 anos, qualificada como uma restrição excessiva, ultrapassando os limites estipulados pelo Cade. Os riscos apontados incluem a possibilidade de uma investigação mais profunda ou a reprovação do modelo de negócios.

Reunião dos clubes em busca de soluções

Com a crescente insatisfação, ao menos 15 clubes manifestaram a necessidade de se reunir em uma assembleia, excluindo a participação da Sports Media. A ideia é discutir a posição coletiva em relação à decisão do Cade e as implicações legais do parecer recém-divulgado.

Nota da Sports Media

Em resposta às críticas, a Sports Media afirmou estar comprometida com o diálogo e aberta a ouvir as preocupações dos clubes. A empresa reiterou que todas as suas operações estão em conformidade com a legislação e os acordos estabelecidos. Além disso, destacou que a decisão do Cade é preliminar e que tomará as medidas necessárias para proteger seus direitos.

A situação continua a evoluir, e o desfecho dependerá das discussões que ocorrerão entre os clubes nas próximas semanas.