Ministra do STM Envolvida em Polêmica de Lavagem de Dinheiro
Uma recente investigação policial trouxe à tona a relação da ministra do Superior Tribunal Militar (STM), Verônica Sterman, com a ACX ITC Serviços de Tecnologia, uma empresa que movimentou um montante considerável de recursos. Em 2024, o escritório de Sterman recebeu R$ 700 mil da referida firma, que agora é alvo de apurações relacionadas a uma extensa rede de lavagem de dinheiro.
O suposto proprietário da empresa, Ericsson de Azevedo, de 50 anos, admitiu à Polícia Civil de São Paulo que na verdade era um “laranja”. Ele revelou que, enfrentando dificuldades financeiras, vendeu seus dados pessoais por R$ 5 mil para a formalização da ACX ITC. O depoimento de Azevedo, prestado em janeiro de 2025, expõe as circunstâncias que o levaram a se envolver com a empresa.
Rede de Lavagem de Dinheiro
A ACX ITC está ligada a uma rede complexa de mais de 40 empresas que, segundo a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, movimentou cerca de R$ 39 bilhões. Essa rede inclui a Victory Trading, que foi recentemente sancionada pelo Departamento do Tesouro dos EUA devido a suspeitas de conexão com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
No depoimento, Azevedo afirmou que nunca foi realmente o dono da ACX ITC e que não sabia para quem repassou seus dados. Ele relatou que ganhava R$ 1 mil sempre que precisava assinar documentos relacionados à empresa e que sua renda mensal, advinda de atividades como a confecção de pipas, era de apenas R$ 1 mil.
Pagamentos e Consultorias
Os pagamentos realizados pela ACX ITC ao escritório de Verônica Sterman foram identificados em um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, antes da posse da ministra. Apesar das somas significativas envolvidas, não foram encontrados processos nos quais Sterman tenha atuado em favor da ACX ITC ou de suas empresas associadas.
Em resposta às questionamentos sobre esses pagamentos, Sterman alegou que o valor recebido corresponde a três pareceres jurídicos que elaborou sobre assuntos criminais relacionados às atividades da empresa. Sua assessoria de imprensa não forneceu novas informações quando contatada novamente.
Conexões Polêmicas
Além do envolvimento de Sterman, a ACX ITC também fez pagamentos significativos ao ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Nefi Cordeiro, que reiterou que as quantias recebidas foram exclusivamente por honorários advocatícios para serviços prestados em ações judiciais finalizadas. Ele também afirmou não conhecer Azevedo.
A investigação, parte da Operação Saturno, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo em outubro de 2025, aponta que a ACX ITC possui indícios robustos de estar envolvida com recursos provenientes do tráfico de drogas. O delegado responsável, Julio Jesus Encarnação, comentou sobre a movimentação de R$ 918,3 milhões da empresa, que é vista como parte de um esquema voltado à ocultação de valores de origem ilícita.
Ações Futuras e Imparcialidade da Justiça
O caso já foi encaminhado à Justiça e ao Ministério Público de São Paulo, com a promotora Ana Carolina Welligton Costa Gomes indicando que a maioria dos envolvidos já está sendo investigada em outros casos que abrangem crimes financeiros e lavagem de dinheiro, potencialmente envolvendo jurisdição federal.
O desenrolar dessa investigação promete ser um importante capítulo na análise do sistema judiciário brasileiro e na luta contra a corrupção e a lavagem de dinheiro.




