O empresário Sandro Caliari, à frente da Aposte Fácil, uma empresa licenciada pela Loterj para a operação de apostas no Rio de Janeiro, foi detido pela Polícia Civil de São Paulo em maio de 2023. A prisão ocorre no contexto de uma investigação sobre um esquema bilionário de exploração ilegal de apostas e lavagem de dinheiro vinculado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A Aposte Fácil, que atua na modalidade de quota fixa desde 2024, permite que os apostadores conheçam o multiplicador do prêmio antes de realizarem suas apostas. No dia 26 de maio, durante a Operação Falsa Las Vegas, as autoridades encontraram com Caliari sacos de lixo contendo R$ 500 mil em dinheiro vivo, ocultos em um veículo.
De acordo com as informações do Ministério Público de São Paulo (MPSP), Caliari desempenha um papel crucial na organização e administração do núcleo responsável pela lavagem de dinheiro dentro do crime organizado. As investigações revelaram que a Aposte Fácil teria adquirido a plataforma clandestina conhecida como Black Vegas por R$ 1 milhão, parcelada em 25 pagamentos de R$ 40 mil. Esta plataforma era utilizada para jogos de azar não regulamentados, como o tigrinho e o jogo do bicho, que operam fora da legalidade.
Em comunicado, a Polícia Civil destacou que os envolvidos no esquema movimentam milhões de reais diariamente, atuando como verdadeiros prestadores de serviços de lavagem de dinheiro para o crime organizado, com ligações diretas com o PCC. Essa situação levanta questões sobre a segurança e a legalidade das operações de apostas no estado.
Questionada sobre a continuidade do licenciamento da Aposte Fácil após a prisão de Caliari, a Loterj informou que as investigações ainda não geraram informações suficientes para uma ação imediata. A autarquia enfatizou a importância de uma colaboração entre as diferentes esferas de governo e órgãos de fiscalização para o combate ao jogo ilegal. Recentemente, a Loterj também identificou uma operação de apostas ilegais que usava documentos falsificados para se passar por uma empresa aprovada pela autarquia.
A Loterj está em processo administrativo para investigar a situação e já encaminhou o caso ao Ministério Público do Rio de Janeiro, buscando uma resposta clara sobre a regularidade das operações de apostas no estado.




