No início da manhã desta terça-feira, 30 de junho, o mercado financeiro brasileiro mostrou um cenário misto. O dólar, por exemplo, teve uma ligeira diminuição de 0,03%, cotado a R$ 5,17. Apesar dessa estabilidade, a moeda passou por oscilações significativas ao longo do dia.

Por outro lado, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), enfrentou um recuo de 0,86%, alcançando 171,7 mil pontos às 12h20. O panorama internacional, marcado por tensões geopolíticas, especialmente entre os Estados Unidos e o Irã, continua a impactar as negociações, embora o efeito tenha diminuído após o anúncio de um acordo preliminar de cessar-fogo entre os dois países nas últimas duas semanas.

Os investidores permanecem vigilantes em relação à normalização do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para a exportação de petróleo, que representa cerca de 20% da produção global. Dados recentes da Bloomberg indicam que 14 milhões de barris de petróleo iraquiano foram exportados do Golfo Pérsico nos últimos dez dias, um sinal positivo para o mercado.

O preço do petróleo, por sua vez, continua a mostrar alta, embora ainda se mantenha perto dos níveis anteriores ao início do conflito em 28 de fevereiro. Às 11 horas, o barril do Brent, referência internacional, subia 0,43%, alcançando o valor de US$ 74,24, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) avançava 0,24%, cotado a US$ 70,92.

Com a diminuição das tensões no Oriente Médio, a atenção dos investidores se volta para as expectativas em relação às taxas de juros, especialmente nos Estados Unidos. Projeções recentes sugerem que a taxa, atualmente entre 3,50% e 3,75%, deverá aumentar já em setembro. Relatórios indicam que o mercado de trabalho americano continua robusto, com um acréscimo de 9 mil postos de trabalho em maio, totalizando 7,594 milhões de vagas, superando as expectativas que eram de 7,280 milhões.

No Brasil, o Banco Central divulgou dados preocupantes sobre a dívida pública, que atingiu R$ 10,6 trilhões, correspondendo a 81,1% do PIB. Esse número supera as previsões de 80,7% e representa o maior índice em cinco anos para a Dívida Bruta do Governo Geral, que inclui o governo federal e o INSS, além dos governos estaduais e municipais.

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a pressão sobre o Ibovespa se deve, em parte, à manutenção das taxas de juros elevadas. "Apesar da redução das tensões internacionais e do alívio no prêmio de risco, o mercado interno ainda é afetado pela expectativa de juros altos tanto no Brasil quanto nos EUA", afirma. Ele ressalta que a falta de investimentos estrangeiros, fundamentais para a recuperação do índice, limita a capacidade do Ibovespa de avançar, mesmo em um cenário externo mais favorável.