Nesta sexta-feira, 31 de julho, o mercado financeiro brasileiro vivenciou uma sessão marcada por oscilações. O dólar, que fechou com um aumento modesto de 0,17%, foi cotado a R$ 5,06 para compra, evidenciando uma certa estabilidade ao longo do dia. Por outro lado, o Ibovespa, que iniciou suas operações com quase três horas de atraso devido a uma falha técnica na B3, conseguiu terminar o dia em alta de 0,45%, alcançando 177,9 mil pontos.
A atividade na Bolsa foi claramente afetada pelos problemas operacionais, como destacou João Vitor Saccardo, especialista em renda variável da Convexa. Em julho, o volume médio de negócios no Ibovespa foi de cerca de R$ 18 bilhões por pregão, mas nesta sessão o total registrado foi em torno de R$ 8,5 bilhões, refletindo a frustração de muitos investidores que não conseguiram operar pela manhã.
Cenário Internacional e Impactos nos Mercados
No campo internacional, a situação se complicou com o aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã, o que influenciou o preço do petróleo. O barril Brent, referência global, registrou uma alta de 1,21%, chegando a US$ 87,93, enquanto o WTI nos EUA subiu 1,56%, alcançando US$ 84,86.
Os investidores também estavam atentos às declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed) dos EUA, que mostraram-se favoráveis ao aumento das taxas de juros. Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, alertou que a persistência da inflação alta tornará mais difícil e custoso controlá-la. Comentários semelhantes foram feitos por Neel Kashkari de Minneapolis e Lorie Logan de Dallas, levantando expectativas sobre futuras elevações de juros no país.
Dados Econômicos e Dívida Pública
O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no segundo trimestre indicou uma economia ainda robusta, com consumo e investimentos fortes, enquanto sinais de arrefecimento da inflação começaram a aparecer. O Índice de Preços de Gastos com Consumo Pessoal (PCE) ficou ligeiramente abaixo das expectativas para junho, indicando uma trajetória gradual de desaceleração da inflação.
Enquanto isso, o Banco Central do Brasil anunciou que a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) atingiu R$ 10,8 trilhões em junho, correspondendo a 81,9% do PIB, o maior índice em cinco anos, um aumento significativo em relação ao mês anterior.
Influências Locais e Expectativas Futuras
Outro fator que teve impacto na sessão foi a chamada “guerra da Ptax”, que ocorre no último dia útil de cada mês. Empresas e investidores tentam influenciar a cotação do dólar para que a média final seja favorável, resultando em grandes operações que podem alterar o preço da moeda.
No fechamento das bolsas globais, a Europa teve resultados mistos, enquanto em Wall Street houve uma alta generalizada. O S&P 500 subiu 0,91%, o Dow Jones 0,76% e o Nasdaq, que foca em tecnologia, avançou 1,23%.
Analistas como Luca Girardi, da Nomad, ressaltam a volatilidade técnica do dia, impulsionada pela formação da taxa Ptax e a abertura tardia da B3. Ele aponta que o fortalecimento do dólar foi influenciado por discursos mais rígidos do Fed e o aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, tornando os ativos em dólar mais atrativos.
Em relação ao Ibovespa, Saccardo observou que a valorização foi principalmente impulsionada pelas ações de empresas ligadas às commodities, com destaque para Petrobras e Vale, que apresentaram resultados acima das expectativas. O setor de serviços também avançou, enquanto a construção civil enfrentou pressão devido às taxas de juros elevadas.




