Na manhã desta segunda-feira, 29 de junho, o dólar apresenta uma leve oscilação em relação ao real, com um aumento de 0,06% às 10h30, cotado a R$ 5,17. Contudo, frente a moedas de economias mais robustas, a moeda americana experimenta uma leve queda. O índice DXY, que avalia a força do dólar em comparação a um conjunto de seis moedas principais, como euro e libra esterlina, caiu 0,10%, marcando 101,26 pontos.

Enquanto isso, o Ibovespa, principal índice da B3, inicia o dia em queda, apresentando uma redução de 0,43% e alcançando 172.500 pontos às 10h30. O mercado financeiro parece estar navegando por águas turbulentas, com os olhos voltados para duas grandes influências: a situação conflitante no Oriente Médio e as projeções em relação às taxas de juros, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.

Tensões no Oriente Médio

Recentes confrontos entre Estados Unidos e Irã, ocorridos no final de semana, evidenciam a fragilidade do cessar-fogo que ainda se mantém, embora a circulação de navios pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais críticas do comércio global de petróleo, esteja se normalizando. Estes desenvolvimentos contribuem para uma “calma relativa” nos mercados, mesmo com a volatilidade do preço do petróleo, que tem mostrado uma tendência de queda.

Commodities e Preços do Petróleo

No que diz respeito aos preços do petróleo, a referência internacional Brent subiu 0,80%, sendo negociada a US$ 73,18, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) aumentou 1,10%, alcançando US$ 69,99. Estes valores estão próximos do patamar observado antes do início do conflito, em 28 de fevereiro, o que indica uma certa estabilidade no mercado de commodities.

Expectativas de Juros e Inflação no Brasil

Com o cenário do Oriente Médio apresentando sinais de possível estabilização, os investidores dirigem sua atenção para a inflação e as taxas de juros no Brasil. O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas, apresentou uma queda de 0,50% em junho, superando as expectativas que indicavam um recuo de 0,46%. Esse resultado sugere uma possível melhora no controle inflacionário.

O Boletim Focus, que compila as expectativas de economistas sobre a inflação e juros, trouxe boas notícias. Após um período de 15 semanas consecutivas de alta, a mediana de expectativa para o IPCA em 2026 se estabilizou em 5,33%. A previsão para a taxa Selic ao final de 2026 também se manteve em 14,00%.

Segundo Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, os dados indicam uma pausa na deterioração das expectativas inflacionárias observada no primeiro semestre, embora o panorama se agrave em prazos mais longos. Para 2027, a mediana da inflação subiu de 4,15% para 4,17%, enquanto para 2028, a previsão da Selic aumentou de 10,25% para 10,50%.

Conclusão

Os mercados financeiros demonstram resiliência em meio a incertezas geopolíticas e econômicas. A monitorização das condições do Oriente Médio e das expectativas de inflação e juros será crucial para determinar os próximos passos do dólar e da Bolsa.