Na última quarta-feira (29/7), o dólar sofreu uma desvalorização de 0,25%, cotado a R$ 5,10, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, encerrou o dia com uma expressiva queda de 1,53%, situando-se em 173,8 mil pontos. Essa movimentação interrompeu uma fase de crescimento que durou duas sessões consecutivas.

Os investidores estavam atentos à decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, que optou por manter os juros básicos inalterados pela quinta vez consecutiva, mantendo a faixa entre 3,50% e 3,75%. Embora essa decisão já fosse esperada, não houve consenso entre os analistas, o que se refletiu na votação do Fed: dos 12 membros, 9 apoiaram a manutenção, enquanto 3 votaram a favor de um aumento de 0,25 ponto percentual.

No cenário internacional, o clima foi marcado por novas tensões no Oriente Médio. A trégua entre Estados Unidos e Irã foi rompida, resultando em um aumento no preço do petróleo, que vinha em queda. O barril de Brent, referência global, subiu 7,32%, alcançando US$ 88,09, enquanto o WTI, utilizado nos Estados Unidos, avançou 6,56%, para US$ 84,46.

Internamente, dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) revelaram que o Brasil criou 145.161 novas vagas com carteira assinada em junho, superando a expectativa do mercado, que previa cerca de 110 mil postos. Este, entretanto, é o pior resultado para o mês desde 2020, durante a pandemia de COVID-19.

As bolsas asiáticas também apresentaram resultados negativos. O índice sul-coreano Kospi caiu 6% antes do anúncio do Fed, impulsionado por incertezas sobre os investimentos em inteligência artificial e o desempenho abaixo das expectativas da fabricante de chips SK Hynix, cujas ações caíram 9,4% após a divulgação de seu lucro operacional.

Nos Estados Unidos, os principais índices de ações enfrentaram perdas significativas, com o S&P 500 caindo 1,51%, o Dow Jones despencando 2,18% e o Nasdaq, que concentra ações de tecnologia, recuando 1,74%.

João Vitor Saccardo, especialista em renda variável da Convexa, explicou que a queda do Ibovespa foi exacerbada pelos novos conflitos no Oriente Médio, elevando o preço do petróleo e aumentando a aversão ao risco dos investidores. Ele destacou que, apesar de a alta do petróleo beneficiar ações da Petrobras, isso não foi suficiente para compensar as perdas em outros setores.

Em relação ao dólar, Emerson Vieira Junior, também analista da Convexa, observou que a queda da moeda norte-americana se intensificou após a decisão do Fed. A comunicação do banco central não trouxe indicações de uma política monetária mais rigorosa, resultando em uma desvalorização global da moeda.

A analista Rebecca Nossig, da Nomad, ressaltou que a queda do Ibovespa e do dólar se deve a um movimento de aversão ao risco, impulsionado pelas decisões do Fed e pelas tensões geopolíticas. Esse cenário de realização de lucros fez com que o Ibovespa perdesse a marca de 175 mil pontos.

Sobre os dados do Caged, Rafael Dadoorian, especialista da Convexa, comentou que a criação de 145 mil empregos formais foi um resultado positivo, embora a curva de juros permaneça estável enquanto os investidores aguardam as decisões do Banco Central sobre a taxa básica de juros do Brasil na próxima semana.