A dívida pública federal (DPF) do Brasil chegou a impressionantes R$ 9 trilhões em maio de 2026, conforme revelado pelo Relatório Mensal da Dívida (RMD) divulgado pelo Tesouro Nacional na última quarta-feira, 27 de maio. Esse crescimento representa um aumento de 2,66% em comparação ao mês anterior.

Esse aumento na dívida é atribuído principalmente à emissão líquida de títulos, que totalizou R$ 134,46 bilhões, além de uma apropriação positiva de juros, que alcançou R$ 99,94 bilhões. Com essa nova realidade, o estoque da DPF ultrapassou os limites estabelecidos no Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2026, que previa um intervalo de variação entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões para o ano.

O prazo médio para o refinanciamento da dívida pública, que é um indicador importante, diminuiu de 4,12 anos em abril para 4,07 anos em maio, permanecendo dentro da faixa estipulada pelo PAF 2026, que varia entre 3,8 anos e 4,2 anos.

O Que É a Dívida Pública Federal?

A dívida pública federal é contraída pelo Tesouro Nacional com o objetivo de financiar o déficit orçamentário do governo, que ocorre quando os gastos superam a arrecadação. Essa dívida pode ser classificada de acordo com a forma de endividamento e pela moeda na qual os pagamentos e recebimentos são realizados.

A emissão líquida se refere à diferença entre os títulos emitidos pelo governo e aqueles que foram resgatados, enquanto a apropriação positiva de juros ocorre quando o retorno obtido com os investimentos em títulos supera os juros pagos aos credores.

Composição da Dívida

Atualmente, cerca de 50% da dívida pública está vinculada à taxa Selic, que atualmente está em 14,25% ao ano. Em maio, a composição da DPF se delineou da seguinte forma:

  • Taxas Flutuantes (Selic): 48,99%
  • Índices de Preços (IPCA): 26,26%
  • Prefixados: 21%
  • Câmbio: 3,75%

As instituições financeiras continuam a ser os principais credores, com participação que cresceu de 31,46% em abril para 31,54% em maio. A participação da Previdência Social na DPF, no entanto, teve uma pequena redução, caindo de 23,32% para 22,92%.

Além disso, outros detentores da dívida incluem fundos de investimento, não residentes, seguradoras, governo e outros, com participações variadas que somam um total significativo.

Reserva de Liquidez da Dívida

Em maio, a reserva de liquidez da dívida pública federal também apresentou crescimento em relação ao mês anterior. O chamado “colchão” para pagamento da DPF, que é constituído por recursos na Conta Única do Tesouro Nacional, aumentou em 10,90%, passando de R$ 1 bilhão para R$ 1,2 bilhão. Esse valor é suficiente para cobrir 9,14 meses de vencimentos de títulos.

A situação da dívida pública federal é uma questão crucial para a economia brasileira, refletindo diretamente na capacidade do governo em gerenciar suas finanças e promover o desenvolvimento econômico do país.