À medida que as eleições gerais de 2026 se aproximam, o estado de São Paulo apresenta um cenário eleitoral inédito, com o menor número de postulantes ao cargo de governador desde a primeira eleição após a redemocratização, em 1986. Naquela ocasião, cinco candidatos disputaram o Palácio dos Bandeirantes, sendo Orestes Quércia o vencedor, representando o PMDB.

Atualmente, apenas dois nomes se destacam como pré-candidatos: Tarcísio de Freitas, atual governador pelo Republicanos, e Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda pelo PT. As convenções partidárias, que oficializarão as candidaturas, estão agendadas para ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto, o que pode abrir espaço para novos concorrentes.

Recentemente, a corrida eleitoral perdeu nomes importantes, como Paulo Serra do PSDB e Kim Kataguiri da Missão, que decidiram não seguir em frente. Essa redução de candidatos levanta preocupações entre os aliados de Haddad, que temem que Tarcísio possa ser reeleito no primeiro turno.

Um fator que contribui para esse cenário de poucos candidatos é a estratégia dos partidos, que parecem estar priorizando a eleição de deputados e senadores. Isso se dá devido à distribuição do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), que é proporcional ao número de cadeiras conquistadas no Congresso Nacional. Desde a proibição de doações corporativas a campanhas em 2017, os partidos têm direcionado a maior parte de seus recursos para essas disputas legislativas.

Glauco Peres da Silva, professor do Departamento de Ciências Políticas da USP, enfatiza essa dinâmica: “Os partidos estão menos focados em vencer a eleição para governador, pois precisam concentrar esforços na obtenção de cadeiras no Parlamento. Assim, apenas aqueles com maior potencial de vitória estão se colocando como candidatos, enquanto outros partidos, inclusive os ideológicos, hesitam em lançar nomes devido às exigências de desempenho e barreiras.”

Na última eleição, realizada em 2022, o Tribunal Superior Eleitoral havia estabelecido um teto de gastos de R$ 26,7 milhões para o primeiro turno na disputa pelo governo, com um adicional de R$ 13,3 milhões para o segundo turno. Para as disputas ao Senado e à Câmara dos Deputados, os limites eram de R$ 7,1 milhões e R$ 3,1 milhões, respectivamente. Os valores para a próxima eleição ainda não foram divulgados.

Além disso, a escolha dos dois principais candidatos envolveu incertezas. Tarcísio, que inicialmente era considerado um forte candidato à presidência, optou por buscar a reeleição ao governo após receber apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro. Por outro lado, Haddad, que se tornou o nome do PT, precisou ser persuadido pelo presidente Lula para assumir essa responsabilidade em um dos estados mais importantes do país.