Denúncias de Assédio e Intimidação no Consulado do Brasil em Hong Kong

Recentes cartas enviadas ao Itamaraty por funcionários do Consulado-Geral do Brasil em Hong Kong revelam um cenário preocupante de assédio e intimidação por parte de um diplomata. As comunicações, datadas de 4 de março e 24 de abril de 2026, relatam o comportamento abusivo do conselheiro Hervelter de Mattos, que se referia a colegas de trabalho com apelidos depreciativos como “Bruxa 1” e “Fujona”, e até mesmo chamava uma funcionária de “a empregada do cachorro” em referência ao animal de estimação do embaixador Wladimir Valler Filho.

Além das ofensas, os documentos apontam que Hervelter proferiu a frase “I don’t see dead people” ao se referir a um contratado local, insinuando um ambiente de trabalho hostil. Relatos indicam que o diplomata também afirmou que não pisaria no setor consular por considerá-lo “poluído” pela presença de uma servidora específica, evidenciando uma postura intimidadora e de controle.

Ambiente de Trabalho Insustentável

Os funcionários denunciantes alegam que o ambiente de trabalho se tornou “insustentável” devido à conduta dos líderes do consulado. A situação se complicou ainda mais com a orientação para ignorar e-mails críticos, incluindo comunicações de promoção da língua e cultura brasileiras. Essa prática prejudicou a realização de eventos e resultou em uma “paralisia institucional” na área cultural, com 129 e-mails não respondidos acumulando desde novembro de 2025.

Ademais, os servidores expressam preocupações sobre mudanças na administração do consulado que parecem ter contribuído para a desorganização. Funcionárias em período probatório foram alocadas em funções estratégicas, enquanto uma servidora experiente foi afastada de suas atividades. As denúncias apontam que a nova configuração deixou áreas críticas sob responsabilidade de pessoas menos qualificadas, gerando caos administrativo.

Resposta do Ministério das Relações Exteriores

O Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério das Relações Exteriores (Sinditamaraty) manifestou apoio aos funcionários, afirmando que continuará a monitorar a situação e a implementação de medidas corretivas. O ministério confirmou o recebimento das cartas e instaurou uma investigação na Corregedoria do Serviço Exterior, que resultou na assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) pelos envolvidos nas denúncias.

A pasta também garantiu que a remoção de uma servidora mencionada não estava relacionada aos fatos investigados, esclarecendo que as ações tomadas visam assegurar um ambiente de trabalho respeitoso e seguro para todos os funcionários.