Investidor Acusa Banco Digimais de Vender Títulos Fraudulentos
O Banco Digimais, vinculado ao bispo Edir Macedo, está sob intensa investigação após um investidor, Roberto Campos Marinho Filho, afirmar que adquiriu uma carteira de crédito consignado repleta de irregularidades. Segundo Marinho, a carteira, avaliada em R$ 316 milhões, continha títulos fraudulentos gerados por empresas como Reag, Master e Fictor.
Esses títulos, que deveriam ser devolvidos em agosto de 2025, permanecem registrados no balanço do Digimais como ativos válidos, expondo uma aparente grave falha de diligência por parte do banco. Essa situação se assemelha a um caso anterior que afetou o Banco de Brasília (BRB), que também foi vítima de transações envolvendo créditos inexistentes.
A Transação e a Descoberta das Irregularidades
Marinho relata que, em fevereiro de 2025, adquiriu do Digimais uma carteira composta por 55 mil Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), correspondentes a empréstimos consignados de diversas empresas. Contudo, ao submeter a documentação a uma auditoria, ele constatou que mais de 22 mil desses documentos, originados por Master, Fictor e Reag, eram falsos.
O investidor ressaltou que todos os contratos emitidos pelo Banco Master, Reag e Fictor estavam, de fato, fraudulentos e não apresentavam qualquer documentação que comprovasse a existência dos empréstimos. Em contraste, as CCBs de outras instituições financeiras eram legítimas, embora algumas estivessem inadimplentes.
Investigação e Consequências Legais
Marinho prontamente denunciou a situação ao Banco Central, e em agosto de 2025, formalizou a devolução da carteira problemáticas, mantendo os contratos válidos. Atualmente, a gestora Yards, associada a Marinho, busca na Justiça a anulação da transação e uma compensação financeira por conta da suposta fraude.
O caso gerou desdobramentos significativos, com a auditoria da CLA apontando que o Digimais não registrou as irregularidades em suas demonstrações financeiras, que apresentaram um total de R$ 744 milhões em fundos relacionados à Yards. A transparência do banco está em questão, uma vez que as demonstrações não refletiram as descobertas da auditoria.
O Futuro e os Processos Judiciais em Curso
Atualmente, o Digimais e a Yards estão envolvidos em três processos judiciais. Enquanto a Yards busca reparação, a instituição bancária argumenta que o fundo assumiu o risco ao adquirir a carteira e que existem conflitos de interesse entre a gestora e Marinho. Em resposta, o Digimais optou por não comentar publicamente sobre o caso.
Reflexões Finais
Esse escândalo ressalta a importância de rigorosas práticas de verificação de crédito nos bancos e a necessidade de maior transparência nas operações financeiras. A situação continua a se desdobrar enquanto as investigações prosseguem e as partes envolvidas buscam justiça.




