Ministério Público do Rio deflagra operação contra políticos
Na última quinta-feira, 16 de julho, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) lançou uma operação que visa apurar a participação do deputado estadual Rafael Nobre e do vereador de São João de Meriti, Julio Ricardo dos Santos Henriques, conhecido como Magrão Nobre, em um esquema de fraude que pode ter desviado até R$ 357,9 milhões de recursos públicos.
Ambos, que pertencem ao partido União Brasil, são acusados de integrar uma organização criminosa voltada para a prática de fraudes em licitações, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Além dos dois políticos, mais oito indivíduos também estão sob investigação, todos suspeitos de estarem envolvidos nos mesmos crimes.
Mandados de busca e apreensão
Em cumprimento a uma ordem do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), as autoridades realizaram mandados de busca e apreensão em diversos locais relacionados aos investigados. Entre os locais visitados estavam o gabinete do deputado na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e as instalações da Câmara Municipal de São João de Meriti.
Denúncias e contratos suspeitos
A denúncia, apresentada pelo procurador-geral de Justiça, Antônio José Campos Moreira, indica que Rafael e Magrão Nobre teriam a real administração de um conjunto de empresas criadas para manipular licitações e desviar recursos municipais, principalmente por meio de contratos com as prefeituras de Magé e Japeri, na Baixada Fluminense.
Investigações apontam que o grupo teria conseguido aproximadamente 45 contratos públicos, todos destinados ao fornecimento de alimentos para hospitais, escolas e secretarias municipais, totalizando a impressionante quantia de R$ 357,9 milhões.
Estratégias de fraude
O MPRJ revelou que as empresas envolvidas no esquema, como Nutrifoods Refeições, Inovar Comércio e Serviços de Terceirização, King Food Alimentos e J&G Restaurante, realizavam concorrências simuladas em processos licitatórios. Para isso, utilizavam sócios de fachada e documentos fraudulentos, além de operações financeiras complexas para ocultar a origem ilícita dos recursos.
Apreensões e consequências legais
Durante a execução dos mandados, os investigadores conseguiram apreender R$ 21 mil em dinheiro na casa do deputado e R$ 45 mil na residência do vereador. Esses valores passarão por perícia e serão incorporados ao processo investigativo.
Além de buscar a punição criminal dos acusados, o MPRJ também solicitou à Justiça a perda dos mandatos de Rafael Nobre e Magrão Nobre, caso sejam condenados. O órgão ainda pediu o ressarcimento mínimo de R$ 357,9 milhões aos cofres públicos.
Os fatos sob investigação remontam a 2017, quando Rafael Nobre atuava como vereador em Nilópolis. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro agora analisará a denúncia e decidirá se dará prosseguimento à ação penal.




