Daniella Marques e a Necessidade de uma Nova Direção Econômica

No dia 1º de setembro de 2026, durante um evento do Fórum Empresarial Lide, Daniella Marques, economista e ex-presidente da Caixa Econômica Federal, fez declarações contundentes sobre a atual gestão econômica do Brasil. Em suas palavras, o 'melhor ajuste fiscal' que o país poderia realizar seria a remoção do Partido dos Trabalhadores (PT) do poder.

Marques, ao se referir a uma frase do senador Rogério Marinho, que a proferiu no dia anterior, destacou que o PT não possui um modelo econômico eficiente, que priorize a expansão da renda e do consumo, mas sim uma abordagem que gera um cenário de 'vanguarda do atraso'. Segundo a economista, a economia deve ser tratada como uma ciência, não uma ideologia política.

Desafios Econômicos e Problemas Estruturais

Com um enfoque crítico, a economista apontou que o Brasil enfrenta desafios como a maior taxa de juros reais do mundo e a carga tributária mais elevada da sua história. Além disso, mencionou que mais de 80% da população enfrenta dificuldades financeiras, com uma parte significativa desse endividamento direcionada ao pagamento de contas básicas.

  • O Brasil, segundo Marques, está em desvantagem competitiva em relação a países como Nigéria, Botsuana e Venezuela.
  • Apesar das adversidades, o país possui vantagens, como uma matriz energética limpa e capacidade de produção agrícola.

Críticas à Gestão das Contas Públicas

Marques também criticou a maneira como as contas públicas estão sendo geridas. De acordo com ela, um país com altos níveis de endividamento não deveria ampliar sua estrutura de ministérios ou realizar novas contratações. A economista questionou as políticas de transferência de renda, argumentando que o debate sobre o aumento real do salário mínimo ignora as implicações dos juros nas finanças das famílias.

“Um reajuste de 5% resultaria em um ganho irrisório para aposentados, enquanto os juros poderiam impactar suas finanças em até R$ 200 por parcela”, afirmou.

Desempenho das Estatais e Propostas para o Futuro

As estatais também foram alvo das críticas de Marques, que mencionou um déficit de R$ 7,8 bilhões no primeiro semestre e comparou essa situação com os lucros obtidos durante o governo anterior. Em sua experiência na Caixa Econômica Federal, destacou um projeto que capacitou 10 mil pessoas em apenas 40 dias, com foco em ajudar mulheres a enfrentarem a violência.

Marques defendeu a ideia do “capitalismo popular”, com base nos princípios de Margaret Thatcher, promovendo maior acesso à propriedade e ao mercado de capitais. Para ela, colocar as contas em ordem é uma questão de justiça social.

“Eliminar R$ 500 bilhões de despesas com juros seria um passo significativo”, concluiu. Ao final de sua fala, expressou o desejo de contribuir para um possível futuro governo, não como autoridade, mas como uma servidora do povo brasileiro.