O empresário Geraldo Rufino, conhecido por sua trajetória de sucesso e superação, está no centro de uma controvérsia legal que pode impactar sua possível candidatura a vice-presidente na chapa de Romeu Zema (Novo). Rufino, que atualmente é uma figura popular nas redes sociais, com 3,6 milhões de seguidores no Instagram, é investigado por um esquema que teria envolvido fraudes estimadas em R$ 6,8 milhões a credores da JR Diesel, sua empresa de desmanche legal.
Recentemente, a juíza Gilvana Mastrandéa de Souza, da 7ª Vara Cível de Osasco, rejeitou o pedido de retorno de Rufino e sua esposa, Marlene, à gestão da JR Diesel, que se encontra em recuperação judicial desde 2016. A magistrada descreveu a conduta de Rufino como uma “verdadeira confusão patrimonial”, caracterizada por desvios de recursos e favorecimento de certos credores, ferindo os princípios do regime recuperacional.
A investigação revelou um complexo esquema de movimentações financeiras irregulares, que vão muito além de simples erros administrativos. Documentos indicam que Rufino teria criado uma rede de empresas satélites para ocultar patrimônio, utilizando familiares e funcionários como “laranjas” para abrir novos negócios que operavam com a mesma estrutura da JR Diesel, mas que estavam protegidos de suas dívidas.
Além disso, foram identificadas saídas de R$ 6,8 milhões da empresa para sócios e parentes, sem qualquer justificativa contábil ou lastro contratual. A juíza destacou que essas movimentações reforçam os indícios de desvio de recursos durante o processo de recuperação judicial da empresa. Entre as irregularidades mencionadas estão pagamentos de despesas pessoais dos sócios, transações frequentes em dinheiro vivo e indícios de um “caixa 2”.
Outro aspecto alarmante é o fato de que foram concedidos aproximadamente R$ 380 mil em créditos aos filhos de Geraldo Rufino, mesmo sem eles serem parte do quadro de funcionários ou prestarem qualquer serviço à empresa. A juíza enfatizou que permitir o retorno dos sócios à administração da JR Diesel poderia resultar em uma repetição das irregularidades e prejuízos adicionais aos credores.
Atualmente, tramita um inquérito policial para investigar a possível prática de crimes previstos na Lei de Falências, envolvendo os sócios afastados. Essa situação gera questionamentos sobre a trajetória de Rufino, que frequentemente compartilha em palestras e cursos suas experiências de superação, incluindo cinco falências empresariais. Em uma de suas videoaulas, ele aconselha: “Guarde dinheiro de onde puder, não espere que os credores deixem de pressionar”.
Natural de Campos Altos, Minas Gerais, e criado na favela do Sapé, em São Paulo, Geraldo Rufino se apresenta como um exemplo de resiliência, construindo uma imagem pública pautada por suas histórias de sucesso. No entanto, as atuais acusações levantam sérias dúvidas sobre a integridade de sua ascensão empresarial.




