Daniella Marques e seu papel no Banco Digimais

A economista Daniella Marques Cosentino, que atualmente coordena o programa econômico da pré-candidatura à Presidência de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), teve uma passagem pelo Conselho de Administração do Banco Digimais. Este banco, controlado pelo bispo Edir Macedo, está sob investigação da Polícia Federal, que deflagrou a Operação Miragem.

De acordo com registros da Junta Comercial de São Paulo, Daniella fez parte do conselho do Digimais de fevereiro de 2024 até 8 de dezembro de 2025, período em que o banco foi alvo de buscas por parte da PF, que investigou executivos envolvidos com a instituição financeira.

Operação Miragem e implicações legais

Na operação, a PF solicitou a quebra de sigilo bancário e fiscal de Edir Macedo e pediu o confisco de R$ 670 milhões que pertencem a ele e outros investigados. Embora Daniella Marques não esteja diretamente implicada nas investigações, o Digimais foi acusado de receber créditos de origem duvidosa e de operar com taxas de captação excessivas, o que sugere práticas de gestão arriscadas.

O Banco Digimais investiu aproximadamente R$ 600 milhões em carteiras de crédito associadas ao Banco Master, cuja gestão foi marcada por polêmicas e prisões, incluindo a de Daniel Vorcaro, um dos executivos da instituição.

Trajetória profissional de Daniella Marques

Daniella Marques já ocupou o cargo de presidente da Caixa Econômica Federal durante a administração de Jair Bolsonaro. Ela assumiu a presidência da Caixa em 2022, sucedendo Pedro Guimarães, e revelou ter se emocionado ao receber o convite do então presidente. Anteriormente, ela havia trabalhado na equipe de Paulo Guedes, ex-ministro da Economia, e, em 2018, foi convocada a depor em uma investigação relacionada à Operação Greenfield, que analisou a atuação de Guedes com fundos de pensão, embora o caso tenha sido arquivado posteriormente.

Recentemente, Daniella deixou sua posição na consultoria Legend Capital para se juntar à campanha de Flávio Bolsonaro, mas afirmou que não pretende ocupar cargos ministeriais caso o senador seja eleito.

Repercussões e futuras investigações

A reportagem do Metrópoles entrou em contato com Daniella Marques, além de Flávio Bolsonaro e do Banco Digimais, em busca de esclarecimentos adicionais sobre os desdobramentos das investigações. As respostas serão publicadas assim que forem recebidas.

Consequências financeiras e auditorias

A Polícia Federal apontou que o Digimais teria manipulado informações contábeis e regulatórias para esconder sua verdadeira situação financeira, levando a uma aparente solvência perante órgãos de controle. O relatório também revela que a auditoria da controladora do banco, a B.A. Empreendimentos e Participações S.A., mostrou que os ativos do Digimais cresceram de R$ 785 milhões em 2024 para R$ 1,8 bilhão em 2025, o que levantou ainda mais suspeitas sobre a saúde financeira da instituição.

Ainda em 2025, o conselho do Digimais, do qual Daniella era membro, foi dissolvido após a compra de R$ 741 milhões em cotas do fundo Hermon FIDC-NP, uma transação que a auditoria questionou, alegando que não refletia as condições normais de mercado.