A discussão sobre a revogação da Taxa das Blusinhas, um imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, ganha destaque no Congresso Nacional, que tem até o dia 8 de setembro para deliberar sobre a Medida Provisória nº 1.357/2026. Essa medida visa acabar com uma taxa que impacta diretamente o poder aquisitivo de milhões de brasileiros, especialmente os de menor renda.
Recentemente, o Governo Federal, juntamente com as lideranças da Câmara dos Deputados e do Senado, manifestou um compromisso claro em favor do fim dessa taxa, que prejudica o acesso a bens de consumo essenciais, como vestuário e materiais escolares. A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) expressou otimismo em relação ao apoio que a proposta deve receber dos parlamentares.
Importância da Revogação
De acordo com André Porto, diretor executivo da Amobitec, a revogação da Taxa das Blusinhas é crucial para garantir que as famílias brasileiras não sejam mais penalizadas por barreiras tributárias injustas. A carga tributária elevada, que incluiu o ICMS, levou a uma retração significativa no volume de compras de baixo valor, conforme análise da consultoria Global Intelligence and Analytics.
Um estudo recente realizado pela Proteste, uma das principais entidades de defesa do consumidor no Brasil, aponta que 92% da população apoia o fim da Taxa das Blusinhas. Além disso, 88% acreditam que o Congresso deve priorizar essa questão, enquanto 56% estariam dispostos a votar em candidatos que defendessem a revogação do imposto.
Impacto no Comércio Eletrônico
Desde a implementação da taxa, que vigorou de agosto de 2024 a maio de 2026, o mercado de encomendas de baixo valor sofreu uma queda de 19,5%. O impacto é mais acentuado entre consumidores das classes C, D e E, que representam a maior parte dos compradores no e-commerce internacional e são mais sensíveis a aumentos de preços. Porto enfatiza que não se pode sacrificar o orçamento das famílias em nome de políticas protecionistas.
Vale mencionar que a isenção temporária que foi estabelecida pela Medida Provisória de maio deste ano precisa ser convertida em lei pelo Congresso. Além disso, as operações de e-commerce estarão sujeitas à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) a partir de 2027, conforme previsto na Reforma Tributária.
A Fiscalização e Conformidade no Comércio Eletrônico
O comércio eletrônico no Brasil já opera sob rigorosa supervisão, com a criação do Programa Remessa Conforme em agosto de 2023, que visa um controle aduaneiro eficaz. Esse programa permitiu que organismos como a Receita Federal e outras agências reguladoras fiscalizassem a conformidade dos produtos vendidos aos consumidores brasileiros, garantindo visibilidade sobre tributos e prazos de entrega.
Empresas globais que fazem parte da Amobitec, como SHEIN, AliExpress e Amazon, têm colaborado com a Receita Federal para informar sobre as vendas, o que tem contribuído para uma liberação mais ágil das encomendas e um melhor cumprimento das normas.
Condições Econômicas e Satisfação do Consumidor
Apesar das promessas de melhorias, estudos indicam que a cobrança da taxa resultou em um aumento nos preços do varejo nacional, sem gerar melhorias significativas em emprego ou renda. A insatisfação é evidente, com 75% dos consumidores afirmando que o imposto afetou negativamente seu poder de compra, sendo que 41% das classes C e D relataram um impacto significativo.
O debate em torno da revogação da Taxa das Blusinhas representa uma oportunidade crucial para o Congresso demonstrar seu comprometimento com a justiça social e a economia do país.




