A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) efetuou, na manhã de terça-feira (21/7), a prisão de Hayra Vitória Pereira Nunes, uma mãe de santo, e de Alex Silva Lacerda. Ambos foram condenados por atos brutais de espancamento, tortura e mutilação de uma adolescente em um terreiro localizado no Gama. A prisão foi realizada em Planaltina (GO), sem resistência por parte dos suspeitos.

Os réus já haviam sido detidos durante a investigação que teve início em 2025, mas conseguiram responder ao processo em liberdade até a recente expedição dos mandados judiciais resultantes da condenação. A captura de Alex ocorreu em um centro espírita, onde ele foi encontrado pela polícia. Após sua detenção, Alex indicou a localização de Hayra, que também foi prontamente detida e levada à 14ª Delegacia de Polícia (Gama).

O caso ganhou notoriedade nacional em janeiro de 2025, quando a adolescente trans, na época com apenas 17 anos, conseguiu escapar do terreiro. Em seu relato à polícia, a jovem apresentou ferimentos severos, incluindo queimaduras de terceiro grau nas mãos e na língua, além de hematomas visíveis e cortes por todo o corpo. Ela havia buscado acolhimento no local durante sua transição de gênero, mas foi submetida a uma rotina de abusos físicos e psicológicos.

De acordo com o depoimento da vítima, ela foi forçada a confessar um furto de R$ 200 para evitar represálias ainda mais graves. Como punição, sofreu pauladas, queimaduras com brasas, foi obrigada a lamber pimenta do reino e teve seu cabelo raspado à força. A jovem relatou ainda que foi ameaçada de incêndio após ter álcool derramado sobre seu corpo.

A investigação da PCDF revelou que há outras possíveis vítimas que também sofreram abusos no terreiro, incluindo agressões, trabalho forçado, exploração sexual e manipulação psicológica sob o pretexto de práticas religiosas. Um vídeo perturbador, obtido pela coluna, mostrou Alex Silva agredindo brutalmente um jovem, que estava caído no chão e sangrando.