Em um desdobramento surpreendente do Caso Naskar, o empresário Douglas Silva de Oliveira Azara, de apenas 26 anos, fugiu para Dubai, nos Emirados Árabes, no dia 15 de julho. Sua saída ocorre em meio a um mandado de prisão preventiva expedido pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) duas semanas antes, em 1º de julho, por liderar um esquema que desviou impressionantes R$ 60 milhões da Zema Financeira, uma empresa vinculada à família do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema.

Douglas Azara, que tentou justificar sua viagem nas redes sociais como uma simples férias ou um 'business', tem compartilhado momentos de ostentação, incluindo imagens de carros de luxo e partidas de pôquer, enquanto é considerado uma figura central em um ataque cibernético que resultou em um rombo total de R$ 75 milhões na fintech Zema Financeira, localizada em Araxá (MG).

Enquanto as investigações prosseguem, Azara, que vive em Dubai, não hesita em interagir nas redes sociais, desdenhando da situação e da perda significativa enfrentada por mais de 3 mil clientes da Naskar, que tiveram um total de R$ 900 milhões em prejuízos. Sua postura provocativa foi evidenciada em uma publicação onde ele se descreveu como 'safe', desconsiderando o bloqueio de R$ 75 milhões em suas contas bancárias.

O esquema fraudulento, que ganhou notoriedade, foi orquestrado através do uso indevido de credenciais de uma empresa de tecnologia contratada pela Zema Financeira. Essas credenciais, obtidas de forma ilegal, permitiram que o grupo liderado por Azara realizasse acessos não autorizados ao sistema da instituição, resultando em transferências milionárias para empresas fictícias e contas de 'laranjas'.

A investigação da Polícia Civil de Minas Gerais revelou que a conexão utilizada para a invasão partiu do próprio endereço residencial de Douglas, localizado em um condomínio em Anápolis (GO). O grupo criminoso operou em duas frentes: enquanto alguns membros atuavam como 'laranjas', recebendo e lavando os recursos desviados, outros garantiam a infraestrutura necessária para a execução do ataque.

Entre os indiciados, destaca-se a avó de Douglas, Célia de Fátima Ferreira, que recebeu a titularidade da empresa Naskar, apesar de apresentar um diagnóstico de Alzheimer. Outros envolvidos incluem a advogada Jessika Lorrane Bastos de Castro, que é companheira de Douglas e também está sob investigação, além de Maycon Douglas Bastos de Castro, seu cunhado, que foi preso recentemente.

O golpe, que se prolongou por um ano, utilizou uma rede de 19 empresas de fachada para viabilizar as transações fraudulentas. O esquema descoberto pela polícia revela um elaborado planejamento e execução, caracterizando um dos maiores escândalos financeiros da região.

A situação de Douglas Azara coloca em evidência não apenas a fragilidade dos sistemas de segurança das fintechs, mas também levanta questões sobre a responsabilidade das empresas envolvidas e a necessidade de uma fiscalização mais rigorosa para proteger os consumidores.