O governo brasileiro está se preparando para um anúncio iminente dos Estados Unidos, previsto para esta quarta-feira (15/7), sobre a implementação de novas tarifas sobre exportações brasileiras. Esta decisão é resultado de uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que avalia práticas comerciais que seriam consideradas desleais.

A administração brasileira acredita que essa iniciativa é motivada por interesses políticos, sugerindo uma tentativa de interferir no cenário eleitoral do país, especialmente com as eleições presidenciais se aproximando. Desde o mês passado, quando o resultado da investigação foi divulgado, o governo tem defendido que os fundamentos apresentados carecem de embasamento técnico.

O Palácio do Planalto ressalta que, considerando que os EUA mantêm um superávit comercial em relação ao Brasil, a imposição de tarifas parece ter uma tintura política. Fontes governamentais indicam que a primeira tarifa aplicada no ano passado já tinha como objetivo influenciar as eleições no Brasil, com o então presidente Donald Trump falando sobre uma “caça às bruxas” envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em fevereiro deste ano, a Suprema Corte dos EUA havia revogado parte das tarifas em vigor, considerando-as ilegais, o que reduziu a eficácia da estratégia comercial da administração Trump. No entanto, a investigação do USTR, que inclui tópicos como o sistema de pagamentos Pix, já estava em andamento desde julho de 2025.

As informações apontam que a possível nova tarifa de 25% pode oferecer um respaldo jurídico renovado para a taxação. O governo Lula também analisa que a medida pode refletir interesses ideológicos na política externa dos EUA. Conforme mostrado por fontes, a escolha de tarifas pode ser um teste para Trump avaliar sua influência na América Latina.

Os negociadores americanos parecem pouco inclinados a considerar os argumentos técnicos apresentados pelo Brasil, o que faz com que a perspectiva de um acordo pareça distante. Diante deste cenário, a implementação do tarifaço é vista como bastante provável, e o governo reconhece que esse impacto pode ter um efeito oposto ao desejado, potencialmente prejudicando a imagem do pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro.

Recentemente, Flávio Bolsonaro se manifestou em Washington, afirmando que a adoção de novas tarifas seria um erro estratégico, podendo, na verdade, fortalecer a posição de Lula nas eleições. O senador havia solicitado um adiamento da decisão até após as eleições, o que demonstra a preocupação da família Bolsonaro sobre as implicações políticas da tarifa.

A proposta inicial do USTR inclui uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, argumentando que isso compensaria “atos, políticas e práticas incoerentes” que restringem o comércio americano. A investigação abrangeu temas como comércio digital e o uso do sistema Pix, além de questões relacionadas ao desmatamento e à proteção da propriedade intelectual.

O governo brasileiro está avaliando as possíveis reações a essa nova realidade, com a orientação do presidente Lula sendo manter as negociações até o prazo final. Recentemente, representantes de diversos ministérios se reuniram com o USTR para discutir o que consideram injusto nas propostas de tarifas, que também incluem uma sobretaxa de 12,5% em relação a práticas de trabalho escravo.