O clima no Brasil nesta sexta-feira, 24 de julho, está marcado pela atuação de uma frente fria que se desloca para a Região Sudeste, introduzindo chuvas fortes, temporais isolados e uma significativa queda nas temperaturas. Esse fenômeno é intensificado pelas condições do El Niño, que tem contribuído para um padrão climático polarizado durante o inverno brasileiro.

Enquanto o sistema frontal traz instabilidade ao Sul e Sudeste, uma robusta massa de ar seco e quente persiste, bloqueando as chuvas no interior do país. Essa situação resulta em temperaturas elevadas e níveis críticos de umidade no Centro-Oeste.

Na Região Sudeste, a infiltração do sistema frontal provoca a redução das temperaturas e nuvens densas em São Paulo, onde a chuva começou cedo e afeta não só a capital, mas também cidades do interior, como Campinas, Sorocaba e Bauru. Rio de Janeiro e o centro-sul de Minas Gerais também sentem os efeitos, com chuvas e trovoadas, especialmente no Triângulo Mineiro. Por outro lado, áreas como o norte de Minas e o Espírito Santo continuam a ser dominadas por ar seco, com umidade relativa perigosamente baixa, entre 20% e 30%.

No Sul, o clima apresenta-se mais estável, com o Rio Grande do Sul e Santa Catarina experimentando temperaturas amenas e sol entre nuvens, embora o Paraná ainda sofra com a influência do sistema frontal, resultando em umidade intensificada e instabilidades.

O Centro-Oeste reflete essa bifurcação climática. Em Mato Grosso do Sul, a região sul e Campo Grande registram instabilidades desde a madrugada, com risco de tempestades e uma leve queda na temperatura. Em contrapartida, Goiás, o Distrito Federal e Mato Grosso enfrentam mais um dia sob condições de seca severa.

Na Região Nordeste, o contraste entre a costa e o sertão continua evidente. A umidade vinda do oceano, associada aos Distúrbios Ondulatórios de Leste, resulta em chuvas intensas desde o litoral de Pernambuco até o Rio Grande do Norte, onde o risco de altos acumulados de chuva é uma preocupação.

A Região Norte também demonstra uma divisão climática similar. O calor e a umidade da Amazônia provocam chuvas de moderada a forte intensidade no oeste do Amazonas, sul do Amapá e nordeste do Pará, enquanto Rondônia, sul do Pará e Tocantins ainda enfrentam calor intenso e tempo seco.

Esse quadro de extremos — que combina chuvas abundantes nas áreas costeiras e seca severa no interior — evidencia a influência do El Niño neste inverno, reforçando a força dos sistemas frontais no Sul e Sudeste, ao mesmo tempo que isola o Centro-Norte com um bloqueio de ar quente e seco. Diante dessa situação, organismos de meteorologia e Defesa Civil alertam para a necessidade de cuidados com a hidratação nas áreas secas e atenção redobrada ao trânsito e possíveis alagamentos nas regiões com forte instabilidade.