O ator Chico Diaz compartilhou sua profunda tristeza pela morte do renomado cineasta Luiz Carlos Barreto, que faleceu nesta quarta-feira (22/7), aos 98 anos, no Rio de Janeiro. Durante uma conversa, Diaz relembrou a amizade que os unia e enfatizou a importância do legado deixado por Barreto para o cinema brasileiro.
Diaz descreveu a perda como um marco significativo, afirmando que a partida do cineasta representa uma transformação para o cinema nacional. "Ele é raiz, tronco e sombra. Agora, sem ele, tudo muda. É um tempo que se foi", ressaltou o ator, que esteve presente no velório de Barreto, realizado na quinta-feira (23/7) no Palácio da Cidade, em Botafogo.
Em suas declarações, Chico Diaz destacou o papel do cineasta como um dos pilares do cinema moderno no Brasil. "Ele foi responsável por estabelecer um cinema soberano e por revelar muitos talentos", comentou, sublinhando a riqueza cultural que Barreto trouxe ao país. "Ele representava o Brasil puro, com sua vasta obra e personagens", acrescentou.
A amizade entre os dois se destacou em suas palavras, com Diaz descrevendo Barreto como uma pessoa franca, solidária e corajosa. "Ele encarava os desafios com tenacidade e sempre com muito humor, característica marcante dos cearenses", afirmou.
Luiz Carlos Barreto, conhecido carinhosamente como Barretão, foi uma figura central no Cinema Novo, movimento que revolucionou o audiovisual brasileiro na década de 1960. Com mais de seis décadas dedicadas à sétima arte, Barreto deixou um legado inestimável, participando de diversas produções que marcaram a história do cinema nacional.
Desde março de 2024, Barreto enfrentou problemas de saúde, após uma queda durante uma viagem ao Ceará, seu estado natal. Ao longo de sua carreira, ele exerceu múltiplas funções, como jornalista, roteirista e diretor de fotografia, antes de se firmar como produtor. Entre suas obras mais icônicas estão Vidas Secas (1963) de Nelson Pereira dos Santos e Terra em Transe (1967) de Glauber Rocha.
Além disso, em 1963, fundou a L.C. Barreto Produções Cinematográficas, que possibilitou a realização de clássicos como Garrincha – Alegria do Povo (1963), A Hora e Vez de Augusto Matraga (1965) e Brasil Ano 2000 (1969). Ao longo de sua carreira, ele produziu mais de 80 filmes, sendo Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), dirigido por seu filho Bruno Barreto, o seu maior sucesso de público.




