Em uma movimentação surpreendente na política do Distrito Federal, José Roberto Arruda, Gim Argello e Paulo Octávio estão formando uma chapa para as eleições deste ano. Essa aliança, que já causa polêmica, reúne figuras que têm em comum passagens por situações de corrupção e condenações na Justiça.

José Roberto Arruda, ex-governador do DF, retorna ao cenário político após dois meses de prisão. Ele acumula seis condenações por improbidade administrativa decorrentes da Operação Caixa de Pandora, um esquema que expôs corrupção envolvendo altos funcionários públicos e empresários entre 2006 e 2009. Arruda, que já foi condenado a ressarcir quase R$ 600 milhões aos cofres públicos, busca agora uma nova chance, aproveitando as discussões no Supremo Tribunal Federal sobre mudanças na Lei da Ficha Limpa.

Gim Argello, ex-senador e presidente do Avante-DF, tem um histórico de mais de três anos de reclusão após ser condenado por corrupção e lavagem de dinheiro na Operação Lava Jato. Sua libertação em 2019 seguiu o indulto natalino concedido pelo governo anterior, mas a sua trajetória política continua marcada por controvérsias. Ele ainda possui planos de lançar um nome para o cargo de vice-governador na chapa liderada por Arruda.

Paulo Octávio, que foi vice-governador durante a gestão de Arruda, também se encontra na linha de frente dessa nova aliança. Ele foi condenado por improbidade administrativa em um caso relacionado à construção do JK Shopping, mas conseguiu um acordo com a Promotoria que afastou as sanções de inelegibilidade. Octávio agora se posiciona como pré-candidato ao Senado, mas há a possibilidade de que ele opte por uma candidatura a vice na chapa de Arruda, dependendo das negociações em andamento.

As discussões sobre a composição da chapa revelam um cenário complexo. A tentativa de Arruda e Gim Argello de firmar um acordo inclui a indicação de um candidato a vice-governador, com nomes como o próprio Gim e Jorge Argello, filho do ex-senador, sendo cogitados para a posição.

O avanço dessa chapa será formalizado em uma convenção conjunta marcada para o dia 26 de julho, quando o PSD e o Avante anunciarão suas candidaturas para a Câmara Legislativa do Distrito Federal e para a Câmara dos Deputados. O futuro político do trio é incerto, mas a movimentação até agora sugere uma estratégia focada em preservar suas influências na política local, apesar das controvérsias que os cercam.

As eleições de 2026 também estão no horizonte, e Arruda parece determinado a encontrar uma brecha legal que o permita concorrer, mesmo diante de seu histórico problemático. O desenrolar dessas negociações, repleto de nuances e implicações éticas, promete agitar ainda mais o clima político na capital.