Antônio Carlos Camilo Antunes, popularmente conhecido como Careca do INSS, relatou ter realizado cinco encontros com Swedenberger Barbosa, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde e atual chefe do Gabinete Adjunto de Gestão Interna do Gabinete Pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A relação entre os dois está sob investigação da Polícia Federal, que suspeita da intermediação de negócios envolvendo o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
Os encontros de Careca com o assessor ocorreram entre 2024 e 2025 e foram registrados apenas em uma ocasião na agenda oficial de Barbosa. Durante uma das reuniões, o lobista confirmou que discutiram assuntos relacionados ao mercado de cannabis medicinal, uma área de interesse para Careca, que estava representando uma empresa especializada no setor.
Entre os encontros, uma mensagem enviada por Careca a um interlocutor indicava que Barbosa já estava com informações relevantes em mãos, o que levanta questões sobre a natureza das discussões entre eles. Os registros mostram que Careca visitou o Ministério da Saúde em três ocasiões em 2024 e duas em 2025, sempre com a intenção de tratar de negócios relacionados à saúde, incluindo medicamentos de cannabis e produtos nutricionais.
As investigações indicam que Careca do INSS e Lulinha mantinham uma relação próxima, com relatos de pelo menos três viagens conjuntas à Europa em um período recente. Além disso, foram identificados pagamentos substanciais do lobista à empresária Roberta Luchsinger, que também tem ligações com Lulinha. A quantia totaliza cerca de R$ 1,5 milhão.
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, expressou surpresa com a abertura do inquérito, afirmando que a situação parece uma “fishing expedition” da Polícia Federal e reiterou que seu cliente não possui qualquer ligação com atividades ilegais.
As investigações estão sendo conduzidas após autorização do ministro do STF, André Mendonça, e geram preocupações sobre a influência de lobistas em altos escalões do governo. A relação entre Careca do INSS e os membros da cúpula do governo federal suscita debates sobre a ética e a transparência nas interações entre o setor privado e a administração pública.




