Inovações no Combate à Insuficiência Cardíaca
No primeiro dia do 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia (CBEM 2026), realizado no Rio de Janeiro, o endocrinologista Marcello Bertoluci fez uma afirmação impactante: as canetas emagrecedoras, associadas a medicamentos que diminuem a carga sobre o coração, podem ser eficazes na prevenção da insuficiência cardíaca.
Bertoluci, que coordena a diretriz nacional sobre o tratamento da obesidade e a prevenção de doenças cardíacas, destacou que novas evidências clínicas estão mudando a perspectiva tradicional sobre a insuficiência cardíaca, uma condição muitas vezes associada a infartos. Segundo o especialista, pacientes obesos podem desenvolver essa condição mesmo sem ter enfrentado eventos isquêmicos anteriores, como ataques isquêmicos transitórios ou AVCs.
Dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) revelam que 41% dos indivíduos com obesidade falecem devido a doenças cardiovasculares. Embora os infartos ainda representem mais da metade dessas mortes, a insuficiência cardíaca está se tornando cada vez mais relevante, correspondendo a aproximadamente 10% dos óbitos, refletindo o aumento das taxas de obesidade.
Tratamento Eficaz e Prevenção
Bertoluci enfatizou a importância da prevenção na abordagem atual. Ele explicou que medicamentos como agonistas de GLP-1 (semaglutida e tirzepatida) e inibidores de SGLT2 (como dapagliflozina e empagliflozina) podem reduzir significativamente o risco de morte cardiovascular. “A perda de peso é crucial, mas não é suficiente sozinha para interromper a progressão da doença. A estratégia atual combina a perda de peso com novas opções terapêuticas, utilizando agonistas de GLP-1 e inibidores de SGLT2 para mitigar o dano cardíaco”, afirmou.
Para pacientes obesos, a introdução de agonistas de GLP-1 demonstrou uma redução de 14% na incidência de eventos cardiovasculares e mortalidade, segundo diversos estudos observacionais e ensaios clínicos.
Diagnóstico e Monitoramento
O diagnóstico da insuficiência cardíaca, de acordo com Bertoluci, envolve a identificação de sintomas e a realização de exames como ecocardiogramas e testes de NT-proBNP, um marcador que indica estresse no coração. No entanto, em indivíduos obesos, os sintomas podem ser vagos, muitas vezes se manifestando como fadiga ou cansaço leve, o que pode retardar o diagnóstico adequado.
Para aprimorar o rastreamento, recomenda-se monitorar grupos de alto e moderado risco, incluindo pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) superior a 40, aqueles com IMC acima de 35 que também apresentem diabetes ou hipertensão e indivíduos com apneia do sono severa ou histórico de infarto.
Bertoluci destacou a importância do reconhecimento precoce, afirmando que o acúmulo disfuncional de gordura e o estresse oxidativo podem causar danos a órgãos vitais, levando à síndrome cardiorrenal metabólica. As novas diretrizes sugerem que todos os adultos com sobrepeso ou obesidade realizem uma avaliação de risco cardiovascular.
Tratamento Combinado e Gestão Clínica
Os dados de acompanhamento mostram que terapias combinadas podem reduzir as taxas de hospitalização e a mortalidade em pacientes com insuficiência cardíaca, especialmente aqueles com diabetes e doença coronariana. Bertoluci concluiu que o tratamento deve incluir mudanças no estilo de vida e uma perda de peso de pelo menos 10%, juntamente com o uso precoce de agonistas de GLP-1 e inibidores de SGLT2 para pacientes com IMC a partir de 27.
A escolha das terapias farmacológicas deve ser personalizada, levando em conta o risco individual e a presença de comorbidades como diabetes, visando prevenir o avanço do dano cardiovascular e renal.
Essa discussão foi parte de um evento de grande relevância, onde Bertoluci foi um dos principais palestrantes, ressaltando a importância das novas abordagens no tratamento e prevenção de doenças cardíacas.




