A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, protocolou um pedido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em busca do direito de resposta por conta de afirmações feitas pelo candidato à presidência Flávio Bolsonaro, do PL, durante uma sabatina veiculada pela TV Globo na última sexta-feira, 28 de agosto de 2026, após o Jornal Nacional.
A representação foi apresentada pela coligação Brasil Pronto Pra Mais, que apoia a reeleição de Lula, e inclui a emissora no processo devido à transmissão da entrevista. Os advogados da coligação argumentam que Flávio proferiu declarações que consideram “falsas e gravemente descontextualizadas” em relação à eleição e à candidatura do presidente.
Declarações Controversas
Dentre os pontos levantados no pedido, destacam-se afirmações sobre urnas eletrônicas, os eventos de 8 de janeiro, a homenagem a Adriano da Nóbrega, e a relação de Flávio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, além de comentários sobre a economia dos Estados Unidos e o salário mínimo no Brasil.
Na sabatina, Flávio reconheceu um erro ao afirmar que uma empresa da Venezuela fabricou as urnas eletrônicas utilizadas no Brasil. Contudo, ressaltou que respeitaria o resultado das eleições, mesmo em caso de derrota, e se distanciou de questionamentos sobre a integridade do sistema eleitoral.
Ao abordar os episódios de 8 de janeiro e a condenação de Jair Bolsonaro, Flávio descreveu o processo como uma “grande farsa” e contestou a responsabilização de seu pai, argumentando que o ex-presidente estava nos Estados Unidos durante os ataques que atingiram as sedes dos Três Poderes.
Em relação a Adriano da Nóbrega, Flávio defendeu que a Medalha Tiradentes, conferida ao ex-capitão do Bope falecido em 2020, foi entregue antes das acusações que surgiram posteriormente, afirmando que Adriano foi “falsamente acusado” no caso pelo qual estava preso na época da homenagem.
Flávio também respondeu a perguntas sobre sua relação com Vorcaro, que financiou parte do filme sobre Jair Bolsonaro, e direcionou as explicações sobre a questão ao presidente, afirmando que “quem deve prestações de contas” é Lula.
Na sequência, ele criticou Lula pela inflação e o aumento de tarifas imposto pelo governo de Donald Trump, alegando que o petista havia buscado a sobretaxa. Flávio também comentou sobre o poder de compra dos trabalhadores, atribuindo a perda ao que chamou de “gastança do governo” e assegurando que não cortaria benefícios do piso nacional e aposentados.
Disputa Judicial
Durante a entrevista de aproximadamente 40 minutos, Flávio mencionou Lula pelo menos 17 vezes, enquanto o presidente, na noite anterior, optou por não citar o nome de Jair Bolsonaro durante sua própria sabatina.
A campanha de Lula requer que, se o direito de resposta for concedido, este seja exibido no mesmo programa e no prazo de até 48 horas após a decisão do TSE. Eles também solicitam que cada resposta tenha no mínimo o dobro do tempo do trecho considerado ofensivo ou inverídico.
O caso foi encaminhado ao presidente do TSE, ministro Nunes Marques. A disputa na Justiça Eleitoral é mútua; Flávio também ajuizou um pedido contra declarações de Lula feitas em uma entrevista um dia antes, contestando os comentários do presidente sobre o legado fiscal deixado pelo governo Bolsonaro e o crescimento do PIB.
Além disso, a campanha de Lula pediu a cassação do registro e a inelegibilidade de Flávio por um período de oito anos devido à sua participação na Festa do Peão de Barretos, alegando que houve pedido de voto e uso de recursos de empresas privadas e órgãos públicos em prol da candidatura do senador.




