Desde julho do ano passado, o estacionamento próximo à Rodoviária do Plano Piloto, sob a gestão do Consórcio Catedral, passou a adotar taxas para utilização do espaço. No entanto, quase um ano após a implementação dessa cobrança, muitos se perguntam se houve verdadeiras melhorias além da simples instalação de cancelas.
A Secretaria de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal (Semob-DF) havia definido um conjunto de intervenções que o consórcio deveria realizar como contrapartida à exploração do estacionamento. Essas ações incluíam desde o reparo do pavimento até a sinalização adequada e melhorias na acessibilidade.
- Reparo de Pavimentos: A expectativa era pela eliminação de trincas e buracos, mas a realidade revela que o asfalto ainda apresenta diversos problemas.
- Sinalização: Faixas de pedestres e sinalizações verticais, que deveriam seguir as normas do CONTRAN e do DETRAN-DF, estão em estado crítico.
- Acessibilidade: Calçadas e rampas deveriam ser adequadas, mas muitos pontos continuam quebrados, dificultando a passagem dos pedestres.
A reportagem do Metrópoles constatou uma realidade preocupante. O estacionamento em frente ao shopping Conjunto Nacional tem apresentado um estado de conservação insatisfatório, com faixas de pedestres quase invisíveis e calçadas danificadas, aumentando o risco para os milhares de transeuntes que passam pela área, especialmente à noite.
O analista Luis Felipe Botelho, que transita pela rodoviária diariamente, expressou sua frustração com a manutenção do espaço. “Houve uma melhoria na organização, mas a falta de manutenção é evidente”, declarou. Ele ressaltou que a sinalização inadequada pode levar a acidentes, uma vez que motoristas podem não notar as faixas apagadas, especialmente em condições de baixa visibilidade.
Os motoristas também levantaram questões sobre a segurança do estacionamento. Roberto Duarte, um bancário de 67 anos, afirmou que não notou investimentos relevantes em segurança desde o início da concessão. “A única mudança visível foi a instalação de cancelas, mas isso não se traduz em segurança real para quem estaciona aqui”, criticou.
A dentista Lorrana Pires, que utiliza o estacionamento diariamente, observou que a concessão foi uma melhoria em relação à presença de flanelinhas, mas ainda assim, ela apontou a ausência de vigilância. “Falta uma presença maior de seguranças. Precisamos nos sentir seguros ao utilizar este espaço”, comentou.
Em resposta a essas preocupações, o Consórcio Catedral afirmou que a implementação da cobrança de estacionamento aumentou a rotatividade das vagas, beneficiando tanto os usuários quanto o comércio local. “Antes, muitas vagas eram ocupadas por veículos que não pertenciam a clientes, agora conseguimos uma melhor distribuição”, destacou a concessionária.
No entanto, a concessionária não forneceu informações detalhadas sobre os valores arrecadados ou os investimentos feitos nas melhorias prometidas. Limitou-se a afirmar que todas as receitas e operações estão em conformidade com as diretrizes do contrato de concessão, que são apresentadas ao Governo do Distrito Federal (GDF) com total transparência.
Com a insegurança ainda presente e a infraestrutura comprometida, a expectativa é que as promessas feitas na concessão sejam cumpridas, proporcionando um ambiente mais seguro e agradável para todos os usuários da Rodoviária do Plano Piloto.




