O cenário financeiro brasileiro amanhece sob forte mobilização sindical nesta quinta-feira (10). Os empregados da Caixa Econômica Federal deflagraram uma greve nacional por tempo indeterminado, cruzando os braços em resposta ao impasse nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico da estatal. Paralelamente, bancários do Banco do Brasil também promoveram paralisações localizadas, dependendo da deliberação de cada base regional, desenhando um quadro de tensão nos dois maiores bancos públicos do país.
Rejeição expressiva e o nó no Saúde Caixa
A decisão de manter o movimento grevista na Caixa ocorreu mesmo diante da retomada dos diálogos entre a diretoria do banco e os líderes dos trabalhadores na última quarta-feira (9), em São Paulo. O gatilho para o descontentamento foi a rejeição avassaladora da minuta inicial apresentada pela instituição: mais de 90% dos funcionários que participaram das assembleia espalhadas pelo território nacional votaram contra os termos propostos.
Segundo representantes da Comissão Executiva dos Empregados (CEE), o grande gargalo das tratativas reside no Saúde Caixa, o plano de assistência médica da categoria, além de pautas econômicas e estruturais que vêm sendo arrastadas desde o mês de junho. Uma nova rodada de negociação foi agendada para a manhã desta quinta-feira, mas a diretoria sindical determinou que as atividades sigam suspensas até que uma proposta concreta seja submetida e aprovada em novas assembleias.
Convenção Geral dos Bancários fecha acordo até 2028
Enquanto a Caixa enfrenta turbulência interna, o ecossistema bancário privado e demais entes do setor alcançaram um entendimento abrangente. O Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) selaram formalmente a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) válida para o ciclo de 2026 a 2028.
O pacto geral assegura reajuste salarial com reposição integral do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) apurado entre setembro de 2025 e agosto de 2026, somado a um ganho real de 0,6% para este ano. A mesma fórmula de reposição inflacionária acrescida de aumento real de 0,6% será repetida no ano de 2027. O reajuste incide sobre salários, Participação nos Lucros e Resultados (PLR), auxílio-refeição, vale-alimentação e auxílio-creche.
Situação pontual no Banco do Brasil
No caso do Banco do Brasil, a mobilização ganha contornos distintos. Sem uma diretriz para paralisação unificada em âmbito nacional, a suspensão das atividades ocorre de forma fragmentada, com assembleias locais decidindo individualmente os rumos do movimento. A assinatura do acordo geral com a Fenaban não extinguiu as demandas específicas dos servidores dos bancos públicos, mantendo o setor em estado de alerta nos próximos dias.


