O senador Veneziano Vital do Rêgo, do MDB, tem sido alvo de críticas após nomear diversas pessoas em seu gabinete em Brasília, entre elas, profissionais que já ocupam cargos na Prefeitura de Piancó, na Paraíba. As nomeações levantam preocupações acerca da utilização do cargo para favorecer aliados e familiares, uma prática frequentemente associada ao nepotismo.

No mês de setembro de 2024, o político nomeou Bruna Priscilla Vasconcelos Dantas Leite, que é farmacêutica e servidora da Secretaria de Saúde de Piancó. Embora devesse exercer funções no Senado, Bruna acumula sua função em Brasília com a coordenação de programas federais em sua cidade natal, recebendo uma remuneração de R$ 6,4 mil no Senado, além de R$ 3,2 mil na prefeitura. Ambas as funções têm carga horária de 40 horas semanais, o que levanta a questão sobre a viabilidade de desempenhar ambas simultaneamente.

Além de Bruna, o senador também nomeou André Avelino de Paiva Gadelha Terceiro, filho do deputado estadual André Gadelha, que é aliado político de Veneziano. André foi nomeado como ajudante parlamentar no gabinete do senador em 2022, enquanto cursava Medicina. Ele foi exonerado em março deste ano e atualmente trabalha na Secretaria de Saúde de João Pessoa, recebendo R$ 12,4 mil mensais. A nomeação de André no Senado foi vista como uma forma de garantir apoio político durante as campanhas eleitorais.

Outra figura que recebeu nomeação foi Giovanna Britto Villarim, também ajudante parlamentar, que acumulava cargos no gabinete de Veneziano e na Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (FIEPB). A prática de acumular funções em diferentes esferas governamentais levanta discussões sobre a moralidade e legalidade das nomeações.

Outra nomeação que gerou polêmica foi a de Emídio Barbosa de Lima Brito, um pastor e empresário que, apesar de ser sócio-administrador de uma construtora e de um resort na Paraíba, recebeu um salário de R$ 4,1 mil no gabinete do senador. De acordo com a Lei nº 8.112/1990, é proibido que servidores públicos sejam sócios administradores de empresas, o que coloca a legalidade de sua nomeação em questão.

A assessoria do senador afirmou que todos os candidatos nomeados informaram ao Senado que não eram sócios administradores de empresas no momento da contratação. No entanto, a equipe não esclareceu a situação específica de Bruna Priscilla, o que gerou ainda mais desconfiança sobre a ética das nomeações realizadas.

Ao ser questionada sobre as funções e justificativas para as nomeações, a assessoria do senador declarou que as funções eram compatíveis com os horários acadêmicos e que a gestão do gabinete é uma prerrogativa do senador. Essa resposta, no entanto, não apaziguou as críticas, que continuam a crescer entre eleitores e opositores.