A crescente tensão entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro (PL) não é mais um mero detalhe, mas sim um fator significativo na pré-campanha presidencial do senador. Um levantamento realizado pela Genial/Quaest, divulgado no dia 15 de julho, revela que 42% dos entrevistados se alinham mais com a ex-primeira-dama, enquanto apenas 18% apoiam Flávio.

A pesquisa, que entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 10 e 13 de julho e possui uma margem de erro de 2 pontos percentuais, ainda mostrou que 22% dos participantes não se identificam com nenhum dos lados do conflito. Além disso, 45% dos entrevistados acreditam que Michelle agiu corretamente ao divulgar um vídeo em que se diz desrespeitada por Flávio, enquanto 38% consideram que ela errou.

As desavenças começaram em meio a discussões sobre a aliança do PL no estado do Ceará. Michelle se opôs ao apoio a Ciro Gomes (PSDB), defendendo a pré-candidatura de Eduardo Girão (Novo-CE). No vídeo divulgado em 24 de junho, Michelle relatou ter sido tratada de forma ríspida por Flávio em uma ligação, onde ele sugeriu que ela se mantivesse afastada das decisões do partido e afirmou que a madrasta não tinha compreensão política. Ela também mencionou que os filhos de Jair Bolsonaro (PL) estariam se articulando contra ela.

Flávio, por sua vez, refutou as acusações de desrespeito, garantindo que jamais agiria dessa maneira com a esposa do pai. No entanto, ele tentou minimizar o conflito ao declarar que estava considerando o episódio como uma "página virada" durante um evento em Goiás. Apesar das tentativas de apaziguar a situação, a relação política entre eles permanece tensa.

O impacto dessa crise é mais evidente entre o eleitorado feminino, onde Flávio enfrenta sérias dificuldades. A rejeição ao senador, conforme dados da última pesquisa Datafolha, é de 53% entre mulheres, contrastando com 40% de rejeição a Lula. Sem a presença de Michelle como uma conexão com esse público, a pré-campanha de Flávio busca alternativas.

A esposa de Flávio, Fernanda Bolsonaro, começou a aparecer mais nas redes sociais e nas atividades do senador, focando em questões de saúde. Após anunciar sua saída da presidência do PL Mulher para se concentrar na família, Michelle se afastou das discussões políticas, enquanto a ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, ganhou destaque como uma figura central na estratégia voltada para o público feminino.

Daniella agora coordena o programa "Brasil por Elas", que aborda temas como segurança pública, combate à violência doméstica e apoio a famílias atípicas. Durante o lançamento do programa, Flávio reafirmou a intenção de escolher uma mulher como vice-candidata e mencionou Daniella como uma opção viável.

Apesar de elogios à economista por parte do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, a escolha da vice dependerá de negociações estratégicas nas chapas do PL e Republicanos em estados como Roraima e Mato Grosso. A avaliação interna sugere que a necessidade de uma vice do sexo feminino aumentou após o desentendimento com Michelle.