Recentemente, uma assistente social de Brasília, Karina Ribeiro, de 47 anos, viveu uma experiência alarmante após uma breve viagem de avião. A condição conhecida como tromboembolismo pulmonar (TEP) se manifestou após um trajeto de cerca de duas horas, evidenciando a necessidade de conscientização sobre os riscos associados a viagens aéreas.

Antes de embarcar para Balneário Camboriú, em Santa Catarina, onde planejava levar os filhos ao famoso parque Beto Carrero World, Karina notou um leve inchaço na perna esquerda. No entanto, subestimou os sintomas e decidiu prosseguir com a viagem. “Quando cheguei ao meu destino, não sentia nada. Mas ao acordar no dia seguinte, percebi uma dor pontada na perna, que achei ser muscular”, relatou Karina. Apesar de tomar um analgésico e seguir com seus planos, a dor persistiu e se intensificou nos dias seguintes.

No terceiro dia de sua estadia, enquanto subia escadas, Karina enfrentou uma falta de ar e dores no peito, o que a levou a interromper suas atividades. Mesmo assim, optou por aguardar a volta a Brasília para buscar atendimento médico, acreditando que suas queixas poderiam ser de origem cardíaca. Ao retornar ao Distrito Federal, já se encontrava em uma situação crítica, com a oxigenação do sangue comprometida.

Após ser atendida no hospital, foi rapidamente diagnosticada com tromboembolismo pulmonar. A cardiologista Anny Gutemberg, que coordenou seu tratamento, explica que o TEP é uma condição que requer atenção imediata, pois a identificação precoce é crucial para evitar complicações graves. “O tromboembolismo pulmonar é uma doença tempo-dependente. A rapidez no diagnóstico e no tratamento pode salvar vidas”, afirmou Anny.

Karina foi submetida a um procedimento minimamente invasivo, recebendo a medicação diretamente na área afetada. Ela passou cinco dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e mais dois em enfermaria, recebendo alta posteriormente. Contudo, terá que continuar o acompanhamento com o uso de anticoagulantes.

Prevenção do Tromboembolismo Pulmonar

Para evitar a formação de coágulos, especialmente em viagens longas, especialistas recomendam:

  • Movimentação Regular: Levantar-se e caminhar a cada duas horas durante o voo.
  • Exercícios de Panturrilha: Fortalecer a circulação nas pernas regularmente.
  • Uso de Meias de Compressão: Em casos de alto risco, o uso de meias elásticas pode ser indicado.

Fatores como cirurgias, imobilidade e condições genéticas também contribuem para o desenvolvimento de trombos. A cardiologista Eduardo Lima destaca que o entendimento da tríade de Virchow — lesão na parede do vaso, hipercoagulabilidade e estase — é essencial para prevenção e identificação de riscos em pacientes.

Karina, agora em recuperação, reflete sobre sua experiência. “Passei a valorizar ainda mais cada momento com minha família. Estou 98% melhor e considero que renasci após essa vivência”, finaliza com emoção.