Thiago Morais da Silva Moita, um brasileiro de 35 anos, optou por deixar a vida em Iguape, São Paulo, e se alistar na Legião Internacional de Defesa da Ucrânia. A decisão ocorreu após ele registrar perdas significativas, totalizando mais de R$ 340 mil, em apostas online.
Natural do Rio de Janeiro, Thiago compartilhou sua história e como tudo começou em março de 2025, durante uma viagem para Morro de São Paulo, onde perdeu R$ 75 mil em um único dia. A partir desse momento, sua vida tomou um rumo inesperado, mergulhando em um ciclo vicioso de apostas na tentativa de recuperar o que havia perdido.
“A perda foi devastadora. Desde então, tentei incessantemente recuperar o dinheiro, mas isso se tornou um ciclo sem fim. Todo o rendimento que eu ganhava com a minha distribuidora de eletrônicos e meu trabalho como motorista de aplicativo era destinado às apostas”, revelou Thiago.
O jogo se tornou um vício que consumiu sua vida financeira e emocional. “Nunca fui dependente de drogas ou álcool, mas a compulsão pelo jogo arruinou minha saúde mental. Comecei a pegar dinheiro emprestado e a utilizar todos os meus cartões de crédito. Trabalhei dobrado, mas apenas para sustentar esse hábito”, contou.
A luta de Thiago não passou despercebida por seus familiares e amigos, mas ele sentiu que não conseguia buscar ajuda. Para expressar sua dor, ele gravava vídeos desabafando sozinho, uma tentativa de lidar com seu sofrimento interno.
“Estar aqui na guerra da Ucrânia é uma opção melhor do que a vida que eu vivia. Eu estava à beira da morte no Brasil. Aqui, eu luto para sobreviver”, afirmou, refletindo sobre sua nova realidade.
Após reconhecer que enfrentava um vício em jogos de azar, Thiago procurou ajuda psicológica e decidiu mudar de vida. Ele iniciou seu processo de alistamento em setembro do ano passado e, em março deste ano, partiu para a Ucrânia. Desde janeiro, ele não fez mais apostas. “Minha mente se transformou completamente. A guerra mental que eu vivia no Brasil era pior do que a guerra física aqui. Estou correndo para me salvar”, declarou.
Atualmente, Thiago participa de missões de reconhecimento no Exército Ucraniano. Embora não esteja diretamente envolvido em confrontos, ele enfrenta diariamente a realidade dos ataques aéreos. Ele escapou da morte em várias ocasiões, sendo transferido momentos antes de bombardeios que destruíram as áreas onde estava. “Menos de uma semana após minha chegada, um míssil atingiu o local onde eu estava. Fui transferido novamente e, em seguida, aquele vilarejo foi obliterado”, contou.
Atualmente baseado na cidade de Dnipro, considerada uma região mais segura, Thiago se une a outros 13 brasileiros que estão no batalhão. O apelido que usa nas rede sociais, “BadBoynaUcrania”, é uma homenagem a um grupo de amigos da adolescência em São Gonçalo (RJ). “Foi uma brincadeira que ficou entre nós. Decidi usar esse nome como uma lembrança”, explicou.
No ambiente militar ucraniano, os combatentes costumam ser chamados por apelidos e não pelos nomes reais. “Aqui, as pessoas não se conhecem pelos nomes, mas sim pelos apelidos”, disse.
Thiago planeja retornar ao Brasil entre novembro e dezembro, de acordo com o contrato que assinou. Após esse período, ele decidirá se continuará sua jornada no Exército Ucraniano ou encerrará seu compromisso.




