O brasileiro Victor Henrique de Oliveira Shimada foi sancionado pelo governo dos Estados Unidos, sob a acusação de lavar a quantia de US$ 30 milhões em valores ilícitos. A movimentação financeira, segundo as autoridades, estava ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores organizações criminosas do Brasil.
A sanção, anunciada pelo Departamento de Tesouro dos EUA, marca a primeira ação após a designação do PCC como organização terrorista pelo governo de Donald Trump. De acordo com o comunicado oficial, a rede que atua na lavagem de dinheiro do PCC opera tanto na Flórida quanto em São Paulo.
Em janeiro, uma operação do FBI resultou na prisão de seis membros do PCC na Flórida, que foram denunciados por atividades de lavagem de dinheiro em um tribunal federal. O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) dos EUA revelou que Shimada e uma associada conhecida como Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira estão no centro dessa operação criminosa.
As investigações indicam que o esquema de lavagem não se limita a tráfico de drogas, incluindo também outras fraudes financeiras. Em 2025, Shimada foi colocado sob prisão domiciliar no Brasil após sua empresa, Victory Trading Intermediação de Negócios, ser implicada em um escândalo de lavagem de dinheiro vinculado a um clube de futebol brasileiro.
A Victory Trading, agora sancionada, é uma das empresas investigadas por sua conexão com o PCC e também pelo envolvimento em fraudes publicitárias. Os documentos judiciais revelam que Shimada, apelidado de "Japa", e Stella, referenciada como "Prima" ou "Lara Croft" em alusão ao popular personagem de videogame, teriam facilitado a movimentação de recursos ilícitos.
Esses recursos incluíam dinheiro proveniente de fornecedores de drogas, como Manuel Garcia-Urrea, conhecido como Manny. A operação para ocultar a origem do dinheiro envolveu a movimentação de valores por diversos bancos em estados como Flórida, Nova York e Califórnia, entre outros.
A classificação do PCC e do Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) pelo governo Trump altera o status legal dessas facções, permitindo que os EUA intensifiquem suas operações contra elas no cenário internacional. Além de facilitar a perseguição financeira, essa designação traz restrições rigorosas a qualquer pessoa ou empresa que colabore com essas organizações, incluindo o cancelamento de vistos e deportação imediata para estrangeiros envolvidos.
Este desenvolvimento marca um novo capítulo na luta contra as facções criminosas brasileiras, permitindo uma mobilização mais agressiva de agências de segurança americanas para desmantelar suas operações fora do Brasil.




