O Brasil confirmou sua ausência em um evento organizado pelos Estados Unidos que abordará o que o governo Trump classifica como o "ressurgimento do terrorismo político" vinculado à "extrema esquerda". Este encontro, que será liderado pelo secretário de Estado americano Marco Rubio, está marcado para esta quinta-feira (16/7).

A relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos se tornou tensa após a reeleição de Donald Trump em janeiro de 2025. Recentemente, o país sul-americano foi incluído na lista de nações que enfrentam um imposto de 10% devido ao que Trump chamou de "tarifaço". Em julho de 2025, a administração Trump impôs uma sobretaxa de 40% sobre produtos brasileiros, justificando a ação como uma retaliação ao julgamento de Jair Bolsonaro, ex-presidente do Brasil, que foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Essa tarifa foi criada após uma negociação entre Eduardo Bolsonaro, que se afastou de seu cargo na Câmara dos Deputados para buscar apoio nos EUA. A Justiça americana revogou o tarifaço em fevereiro deste ano, mas as tensões continuam. Em maio, as facções criminosas brasileiras, Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), foram designadas como organizações terroristas, após a visita do senador Flávio Bolsonaro a Trump.

A decisão de não comparecer ao evento foi tomada pelo chanceler brasileiro, Mauro Vieira, que alegou compromissos já agendados no Brasil. O Itamaraty informou que a agenda de Vieira foi definida antes do convite formal dos EUA.

Marco Rubio, reconhecido por suas críticas a governos de esquerda na América Latina, liderará a reunião que contará com representantes de aproximadamente 70 países. O evento visa articular ações conjuntas contra o que os EUA classificam como "terrorismo político", que eles acreditam estar associado a governos de extrema esquerda.

O Departamento de Estado dos EUA alega que a reunião busca desenvolver estratégias colaborativas para combater a desestabilização das sociedades democráticas. Segundo eles, esse fenômeno ameaça sistemas políticos e econômicos ao redor do planeta, com ataques direcionados a cidadãos, agentes de segurança e infraestruturas essenciais.

O governo brasileiro, sob a liderança de Lula, teme que a atuação da família Bolsonaro nos EUA possa provocar uma interferência nas próximas eleições brasileiras. Recentemente, Marco Rubio declarou que o Brasil não é considerado parte da lista de países aliados nos esforços políticos da América Latina.

Em meio a esse cenário, Mauro Vieira destacou que não há justificativa para o Brasil ser alvo de tarifas impostas pelos EUA, reiterando a necessidade de um diálogo mais construtivo entre as nações.