O governo do Brasil expressou sua condenação nesta segunda-feira (27/7) em relação à crescente onda de agressões perpetradas por colonos israelenses na Cisjordânia. Através de uma declaração oficial, o Ministério das Relações Exteriores destacou a necessidade urgente de Israel implementar medidas efetivas para proteger a população palestina, citando a escalada de violência como um fator de agravamento da situação na região.
Na nota, o Itamaraty declarou: “O governo brasileiro condena, nos mais fortes termos, a mais recente onda de ataques de colonos israelenses na Cisjordânia, que em muitos casos ocorreram com o respaldo de forças de segurança israelenses”. O ministério enfatizou a importância da responsabilização dos envolvidos nos atos de violência contra civis palestinos.
A Cisjordânia, território sob ocupação israelense desde 1967, é foco de disputas entre israelenses e palestinos, que aspiram à criação de um Estado próprio na região. Os colonos israelenses, cidadãos de Israel que habitam assentamentos na Cisjordânia, são frequentemente considerados ilegais pela maior parte da comunidade internacional, embora o governo de Israel conteste essa interpretação.
A declaração do governo brasileiro foi emitida após uma série de confrontos violentos, incluindo um trágico incidente na última sexta-feira (24/7), na aldeia de Tal, perto de Nablus. Nesse evento, quatro palestinos e dois israelenses, um deles um soldado, perderam a vida durante um confronto que envolveu colonos armados e as Forças de Defesa de Israel (FDI).
A nota também fez referência ao parecer da Corte Internacional de Justiça (CIJ), publicado em 19 de julho de 2024, que declarou ilegal a presença contínua de Israel na Cisjordânia e destacou a obrigação do país em interromper a expansão dos assentamentos e retirar os colonos da área.
Além disso, o governo brasileiro criticou as recentes decisões do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que incluem a intensificação das operações militares na Cisjordânia e a aceleração da aprovação de novos assentamentos. O Itamaraty argumentou que tais medidas, além de violarem o direito internacional, apenas intensificam as tensões na região.
A escalada da violência na Cisjordânia tem gerado preocupações significativas. Após os acontecimentos em Tal, Israel implementou restrições de acesso a Nablus e conduziu operações no hospital principal da cidade, anunciando uma ofensiva militar abrangente no norte da Cisjordânia. O Exército israelense alegou que civis israelenses foram alvos de ataques durante uma atividade na área, enquanto autoridades palestinas responsabilizam os colonos pela crescente violência.
Informações recentes da agência palestina Wafa indicam que colonos atacaram cinco aldeias nas proximidades de Nablus na última sexta-feira, incendiando pelo menos seis residências. Além disso, novos ataques foram relatados no domingo (26/7), com a queima de duas mesquitas e pichações em edifícios em aldeias na Cisjordânia. Dados do Ministério da Saúde Palestino revelam que, desde o início de 2026, 86 palestinos foram mortos em ações de agentes israelenses na Cisjordânia, sendo 21 desses casos atribuídos a colonos.




