Em um dos movimentos mais sintomáticos das recentes tensões no Supremo Tribunal Federal (STF), a última sessão plenária revelou fraturas profundas na articulação interna da Corte. A deliberação sobre uma questão de ordem vinculada a pedidos de investigação no âmbito do chamado 'Caso Master' acabou por desenhar uma nova geografia de forças no tribunal. O desfecho foi interpretado por observadores e lideranças da oposição como um nítido avanço reputacional do ministro André Mendonça em relação a Alexandre de Moraes.

A manobra regimental e o revés no plenário

A controvérsia central girou em torno de uma manobra processual apresentada pelo ministro Flávio Dino e relatada pelo ministro Gilmar Mendes. A proposta buscava unir, em um mesmo rito de julgamento, as petições de investigação direcionadas a Moraes e as que miravam Mendonça, numa tentativa de diluir os impactos políticos e jurídicos de eventuais aberturas de inquérito.

Contudo, a estratégia da ala governista e de ministros veteranos naufragou no plenário. Por uma maioria de 4 votos a 3, a Corte rejeitou o apensamento dos processos. O ponto de virada decisivo foi o alinhamento do presidente do STF, Edson Fachin, e da ministra Cármen Lúcia ao entendimento divergente, garantindo a vitória da tese patrocinada indiretamente por Mendonça. O placar final foi selado após Dino retirar seu voto favorável — que empataria a disputa — ao pedir vista do processo.

Isolamento e perspectivas para o julgamento do mérito

Nos bastidores de Brasília, articuladores políticos ligados à direita viram no resultado um sinal claro de desgaste do grupo encabeçado por Moraes. O aval de ministros de perfil garantista e institucionalista, como Fachin e Cármen Lúcia, foi lido como um recado contra contornos regimentais sob medida.

Além do revés imediato, o horizonte processual reserva desdobramentos ainda mais complexos para Alexandre de Moraes. Quando o mérito sobre a autorização dos inquéritos for levado a plenário, Moraes estará regimentalmente impedido de votar por figurar como parte interessada. Sem o direito a voto e diante de uma composição que demonstrou independência em relação à sua liderança, a percepção dominante é de que a blindagem ao magistrado perdeu consistência para as etapas decisivas que virão.