A banda Névula, conhecida por seus cachês expressivos recebidos da Prefeitura de São Paulo, se manifestou nesta quarta-feira (15) para desmentir a associação de seu ex-membro, Fabiano Martins de Oliveira, com a formação atual do grupo. Fabiano, que atualmente ocupa o cargo de secretário-adjunto da Fazenda municipal, foi apontado como integrante da banda em uma recente reportagem do colunista Demétrio Vecchioli, do Metrópoles.
A Névula enfatizou em sua nota que é uma banda autoral e independente, sem vínculos de representação exclusiva com nenhuma agência, empresário ou produtor. A declaração reforçou que Fabiano Martins não faz parte do grupo desde 2024, e que todas as contratações realizadas junto à Prefeitura ocorreram de maneira regular e transparente, seguindo todos os procedimentos legais.
Até outubro de 2025, a banda foi contratada pela administração municipal em dez ocasiões, recebendo cachês que chegaram a até R$ 30 mil por apresentação. A nota divulgada pela Névula deixou claro que os valores recebidos estavam em conformidade com os contratos administrativos estabelecidos e com os critérios técnicos exigidos para a contratação de serviços públicos.
Além disso, a Secretaria da Fazenda também corroborou a posição da Névula, afirmando que a participação do servidor público na banda foi voluntária e sem qualquer tipo de remuneração. Apesar da desassociação, documentos anteriores indicavam Fabiano como parte da banda em apresentações e justificativas para as contratações.
A Névula, que conta atualmente com aproximadamente 4,5 mil ouvintes mensais em plataformas de streaming, possui um EP com cinco músicas e 10 singles lançados em 2025. Sua presença nas redes sociais, no entanto, foi desativada após a repercussão da matéria que levantou questionamentos sobre a relação entre a banda e a Prefeitura.
O cenário se complica ainda mais com a revelação de que outras bandas ligadas ao produtor Fabrício Raveli, que também foi mencionado no caso, receberam um número significativo de contratações pela Prefeitura, totalizando mais de R$ 2,3 milhões em cachês nos últimos 15 meses. Revelações de que essas bandas são essencialmente coberturas e não tinham relação com outras esferas públicas levantam dúvidas sobre a transparência das contratações culturais promovidas pela administração municipal.
O Tribunal de Contas do Município (TCM) iniciou uma investigação a partir de denúncias feitas por representantes da oposição, buscando esclarecer a legalidade e a legitimidade desses contratos. A auditoria preliminar indicou que as justificativas apresentadas pela Prefeitura para algumas contratações não eram baseadas em análises objetivas, mas sim em material promocional fornecido pelos próprios contratados.
Com o processo ainda em andamento, a situação permanece delicada para todos os envolvidos, enquanto a população aguarda respostas sobre a verdadeira natureza dessas contratações culturais e as possíveis implicações para a gestão pública em São Paulo.




