A balança comercial do Brasil apresentou um superávit significativo de US$ 9,6 bilhões no mês de junho, de acordo com os dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDic) nesta sexta-feira, 3 de julho. Esse resultado representa um crescimento expressivo de 66,6% em comparação ao mesmo mês do ano anterior, que registrou um saldo positivo de US$ 5,9 bilhões.
As importações no mês de junho somaram US$ 26,5 bilhões, um aumento de 14,4% em relação a junho de 2025, quando as importações totalizaram US$ 23,2 bilhões. Por outro lado, as exportações cresceram 24,9%, alcançando US$ 36,3 bilhões em junho de 2026, em comparação aos US$ 29 bilhões do ano anterior. A corrente de comércio, que inclui a soma das importações e exportações, ultrapassou os US$ 62,8 bilhões, refletindo um aumento de 20,3% em relação a junho de 2025, quando esse número era de US$ 52,2 bilhões. Este valor é o mais alto já registrado para um mês na série histórica.
As exportações brasileiras para os Estados Unidos tiveram um leve aumento de 3,7% entre maio e junho. Este crescimento ocorre em um contexto de relações tensas entre os países, especialmente após a imposição de tarifas pelo presidente americano Donald Trump. Apesar de algumas isenções de tarifas após negociações, os produtos brasileiros ainda enfrentam dificuldades. Recentemente, os EUA sinalizaram a possibilidade de uma nova taxa de 25% sobre alguns produtos brasileiros.
Além dos Estados Unidos, as exportações para outras regiões também mostraram crescimento significativo; as vendas para a Ásia aumentaram 29,9%, enquanto para a Europa, o crescimento foi de impressionantes 43,9%. Contudo, houve uma queda nas exportações para o Mercosul (-4,7%), com a Argentina apresentando a maior redução, de 18,1%.
Os setores que se destacaram nas exportações de junho incluíram:
- Agropecuária: US$ 8,1 bilhões (+18%);
- Indústria Extrativa: US$ 9,9 bilhões (+58,4%);
- Indústria de Transformação: US$ 18 bilhões (+14,7%).
Quando se observam as exportações por localização, em junho, os números foram os seguintes:
- Ásia: US$ 17,4 bilhões (+29,9%);
- América do Norte: US$ 4,9 bilhões (+8,5%);
- América do Sul: US$ 3,9 bilhões (+7%);
- Europa: US$ 6,4 bilhões (+43,9%).
Herlon Alves Brandão, diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos do MDic, comentou que o acordo de livre comércio com a União Europeia pode abrir novas oportunidades de negócios para o Brasil, embora ainda não seja possível quantificar esses impactos. Ele destacou a expectativa de que os importadores europeus que se beneficiarão do acordo comecem a se adaptar gradualmente a essa nova realidade comercial. "No agregado, o fluxo é bastante grande. É esperado que os importadores da União Europeia, que são os que vão se beneficiar do acordo, vão aderindo gradualmente. Temos que esperar mais um pouco para fazer um levantamento", afirmou Brandão.
Em relação às importações, os principais destaques de junho foram:
- Bens de Capital: US$ 3,5 bilhões (+5,7%);
- Bens Intermediários: US$ 15,1 bilhões (+10,9%);
- Bens de Consumo: US$ 5,7 bilhões (+34%);
- Combustíveis: US$ 2,2 bilhões (+11,6%).
As importações também variaram conforme a região, com os seguintes resultados em junho:
- Ásia: US$ 11,1 bilhões (+25,2%);
- América do Norte: US$ 4,6 bilhões (-2,9%);
- América do Sul: US$ 2,7 bilhões (+17,8%);
- Europa: US$ 6,3 bilhões (+12%).
Com esses dados, o Brasil demonstra uma recuperação significativa em seu comércio internacional, refletindo uma conjuntura econômica que, apesar de desafios, apresenta oportunidades para crescimento e fortalecimento das relações comerciais globais.




