No próximo dia 6 de julho, uma audiência promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) abordará a proposta de impor uma taxa de 25% sobre produtos brasileiros. Até o momento, 84 pessoas se inscreveram para participar do evento, das quais 13 manifestaram interesse em apoiar a nova taxação.

Entre os inscritos, destacam-se figuras como o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência do Brasil, e o influenciador Paulo Figueiredo, que terão a oportunidade de expressar suas opiniões durante a audiência. As entidades que se pronunciarão a favor das tarifas incluem um leque de empresas e associações americanas que alegam enfrentar prejuízos devido à concorrência com o mercado brasileiro.

O grupo de apoio à taxação abrange setores variados, como etanol, proteína bovina e produção de aço. Listamos algumas das principais organizações que se mostrarão favoráveis às tarifas:

  • Obelisk Tech Systems Inc: Focada em infraestrutura de inteligência artificial e logística autônoma.
  • Cleveland-Cliffs Inc: Uma das maiores produtoras de aço nos EUA.
  • R-CALF USA: Representa cerca de 4 mil pecuaristas de gado em 42 estados.
  • Steel Manufacturers Association: Principal entidade da indústria siderúrgica americana.
  • Growth Energy: Associação que representa produtores de etanol nos EUA.

A proposta de taxação surge após uma investigação comercial por parte do USTR, que alega que o Brasil pratica políticas comerciais desleais, especialmente em áreas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico e controle de desmatamento. A audiência representa uma etapa importante no processo de avaliação das tarifas, que ainda precisa passar por análises adicionais antes de sua implementação.

Os defensores das tarifas destacam que a competitividade da indústria americana está sendo ameaçada, citando o setor de etanol como um exemplo. Eles argumentam que as políticas brasileiras, como o programa RenovaBio, favorecem produtores locais e criam barreiras ao etanol importado. No setor pecuário, a falta de rastreabilidade na cadeia de produção de carne bovina no Brasil é uma preocupação central, com alegações de que isso resulta em práticas insustentáveis e concorrência desleal.

O R-CALF USA anunciou a mobilização de seus membros para que enviem comentários ao USTR, solicitando a imposição das tarifas e argumentando que a importação contínua de carne do Brasil prejudica os pecuaristas americanos. A associação enfatiza a necessidade de uma mensagem clara por parte dos produtores locais sobre os impactos negativos da carne brasileira na indústria nacional.

Por sua vez, o governo brasileiro, liderado por Lula, não participará oficialmente da audiência. A perspectiva do Itamaraty e do Palácio do Planalto é que, como há um canal direto de diálogo com a administração de Donald Trump, não faz sentido discursar em um evento direcionado à sociedade civil. A embaixada brasileira em Washington, no entanto, estará atenta às discussões, especialmente em relação às declarações de Flávio Bolsonaro.

Além disso, diversas associações e empresas brasileiras e americanas também se inscreveram para se opor às tarifas, argumentando que essas medidas prejudicam tanto os empresários quanto os consumidores nos EUA. Esses representantes da sociedade civil planejam contestar as justificativas apresentadas pelo USTR e defender a importância das relações comerciais entre os dois países.