A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) expressaram suas objeções a uma tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros durante uma audiência pública realizada em Washington, na última segunda-feira (6 de julho). O evento é parte de uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que está avaliando se práticas comerciais brasileiras afetam empresas americanas.
A investigação, que se baseia na Seção 301 da legislação comercial dos EUA, abrange temas como o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, comércio digital, tarifas sobre etanol, proteção à propriedade intelectual e questões relacionadas ao desmatamento. Com base em análises preliminares, o USTR recomendou a implementação da tarifa adicional, que agora será debatida com representantes da sociedade civil e das empresas.
Apesar da audiência, o governo brasileiro optou por não enviar um representante, considerando que a sessão não se configura como uma negociação oficial, mas sim um espaço para que setores afetados se manifestem. A Embaixada do Brasil em Washington acompanhou a audiência, enquanto o Itamaraty enviou uma manifestação escrita ao USTR, contestando as alegações apresentadas.
Posicionamento da Amcham Brasil
A Amcham Brasil, representada por Kristina Rosales, enfatizou a importância de um acordo entre os dois países antes da implementação das novas tarifas. Abrão Neto, presidente da entidade, destacou que, apesar da complexidade das negociações, ainda há espaço para diálogo.
- A tarifa de 25% prejudicaria não apenas o Brasil, mas também consumidores e empresas norte-americanas, aumentando os preços de produtos e insumos.
- Reduzir a participação brasileira no mercado americano poderia levar a uma maior dependência de fornecedores asiáticos.
- Amcham sugeriu que as divergências fossem resolvidas por meio de negociações sobre acesso a mercados e comércio digital.
Argumentos da CNA
A CNA também se fez presente na audiência, representada por Fernanda Carneiro, que trouxe à tona quatro argumentos principais contra a proposta de tarifa. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ela disse:
- A competitividade do agronegócio brasileiro é impulsionada por produtividade e não por desmatamento.
- O mercado brasileiro está aberto ao etanol dos EUA.
- Os acordos comerciais com México e Índia não impactam negativamente os exportadores americanos.
- A investigação do USTR não apresentou evidências de danos ao comércio bilateral.
A relacionação comercial entre Brasil e Estados Unidos foi relembrada, com Fernanda enfatizando que os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, destacando a interdependência das cadeias produtivas.
De acordo com a CNA, a imposição da tarifa afetaria não só o setor produtivo brasileiro, mas também teria um impacto significativo no mercado americano, elevando custos e comprometendo a competitividade.
A audiência pública ainda prossegue nesta terça-feira (7 de julho), com a participação de outros representantes de diversas entidades brasileiras e americanas. O USTR analisará as contribuições apresentadas antes de tomar uma decisão sobre a proposta de tarifa adicional.




