A psicóloga colombiana Catalina Giraldo, aos 30 anos, faleceu na última quinta-feira (9/7) após optar pela eutanásia, encerrando uma longa e dolorosa batalha judicial. Diagnosticada com Transtorno Depressivo Maior, transtorno de personalidade borderline e ansiedade, Giraldo vivia um sofrimento intenso e lutava contra crises agudas desde 2019, tendo sido internada nove vezes e tentado o suicídio em diversas ocasiões.
Em declarações a um telejornal colombiano, Catalina expressou seu desespero e cansaço diante de uma vida marcada por dor. "Sinto que é um inferno. Estou tão cansada de ter que lidar com isso o tempo todo... Para mim, já chega", disse ela em uma reportagem exibida em março, que levou seu caso ao conhecimento público.
Batalha Judicial e Direito à Morte Digna
Na Colômbia, tanto a eutanásia quanto o suicídio assistido são legalizados em determinadas circunstâncias, permitindo que pacientes com doenças graves e incuráveis optem por terminar suas vidas com dignidade. No entanto, mesmo com as leis que apoiam esses direitos, Giraldo enfrentou diversas barreiras em sua luta para conseguir o acesso ao suicídio assistido.
Apesar de seus apelos, sua solicitação inicial de suicídio assistido foi negada, pois a regulamentação para esse procedimento ainda não estava clara no país. Em setembro de 2025, Giraldo requereu a eutanásia à sua entidade promotora de saúde, a EPS, que negou o pedido sob a alegação de que ela não apresentava uma condição de saúde terminal e havia opções de tratamento disponíveis.
O advogado de Giraldo, Lucas Correa Montoya, argumentou que a legislação colombiana não exige que todos os tratamentos tenham sido esgotados antes de se ter acesso à eutanásia. "Sempre haverá algo a tentar. Sempre haverá outro remédio para tomar, uma dose diferente, uma nova combinação", destacou Correa.
Avanços e Desafios no Reconhecimento de Direitos
Em um esforço contínuo, Catalina lutou para se tornar a primeira mulher na Colômbia a ter acesso ao suicídio assistido, enquanto sua situação atraía atenção nacional. Nos últimos anos, o número de colombianos que recorreram à eutanásia tem aumentado, com 352 casos registrados em 2024. O caso de Giraldo destaca não apenas a luta pessoal de uma mulher, mas também as lacunas existentes no sistema de saúde colombiano.
Antes de sua morte, Catalina pediu à Corte Constitucional que abordasse as dificuldades que ela e outros pacientes enfrentavam ao tentar acessar o suicídio assistido, na esperança de eliminar as barreiras que ainda existem dentro do sistema de saúde. Sua história ressoa com muitos que buscam autonomia sobre suas vidas e a possibilidade de uma morte digna.




