A mãe da biomédica Heloisa Rodrigues, 28 anos, foi ouvida pela Polícia Civil em um inquérito que investiga graves acusações de maus-tratos e exploração sexual envolvendo a filha. Durante seu depoimento, realizado na última quinta-feira (30/7), a mãe refutou as alegações de abusos divulgadas pela jovem.
De acordo com informações obtidas pelo Metrópoles, o caso está sob a responsabilidade do 46º Distrito Policial de Perus. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que o inquérito foi encaminhado ao Judiciário em dezembro de 2025, retornando à polícia posteriormente para diligências adicionais, antes de ser reenviado à Justiça em junho deste ano. A SSP destacou que mais detalhes sobre o caso não podem ser revelados devido ao sigilo judicial.
Desde 2024, Heloisa tem buscado judicialmente a remoção do nome da mãe de sua certidão de nascimento. A Justiça de São Paulo já havia acolhido o pedido da biomédica para excluir os sobrenomes maternos, mas negou a solicitação de retirada do nome da mãe do campo de filiação do registro civil.
O juiz Guilherme da Costa Manso Vasconcellos, atuando na 1ª Vara da Família e Sucessões de São Vicente, reconheceu um histórico de abusos, negligência e crueldade na relação entre mãe e filha. No entanto, argumentou que a maternidade é um fato biológico incontestável, o que tornou inviável a exclusão completa do nome materno.
O caso ganhou ampla repercussão após Heloisa compartilhar um vídeo nas redes sociais, no dia 19, onde ela expressa indignação em relação à decisão judicial. “Por que a mãe deve ser protegida de uma ‘morte civil’, enquanto eu tenho que carregar o nome de quem destruiu minha infância?”, questionou a biomédica em seu post, revelando a profundidade de sua dor e luta.
Heloisa, que desde a infância enfrenta traumas severos, alega que sua mãe permitiu que ela e suas irmãs menores fossem vítimas de abusos sexuais por homens adultos em troca de dinheiro. Esses episódios de exploração começaram quando Heloisa tinha apenas 9 anos. Por outro lado, o único irmão da família, sendo homem, não passou pelas mesmas experiências.
Além disso, Heloisa revelou que sua mãe a forçou a tirar fotos nuas, tanto sozinha quanto acompanhada de parceiros sexuais, durante momentos íntimos. Ela também relatou agressões físicas e ameaças de envenenamento por parte da mãe. Em julho do ano passado, a Justiça impôs uma ordem de restrição, proibindo a mãe de se aproximar da biomédica a uma distância mínima de 500 metros.
Em um movimento significativo, Heloisa também conseguiu na Justiça a alteração de seu nome, passando de Larissa para Heloisa, o nome pelo qual se identifica atualmente. A defesa da jovem está recorrendo da decisão que não permitiu a exclusão total do nome materno, argumentando que o registro civil deve servir para garantir a dignidade da pessoa e não para perpetuar traumas já vividos.




