Após meses de intensas tratativas nos bastidores do mercado financeiro, a Amil decidiu interromper em definitivo as negociações com as gestoras de private equity Bain Capital e Advent International. A decisão de encerrar as conversas sem qualquer alteração na estrutura societária foi comunicada oficialmente aos colaboradores da operadora de saúde nesta quinta-feira (10 de setembro de 2026), por meio de uma nota do Conselho de Administração.
Impasse no controle e no preço do negócio
O principal obstáculo para a concretização do acordo residiu nas visões conflitantes sobre a governança e o comando futuro da operadora. O empresário José Seripieri Filho, controlador da Amil, buscava captar recursos para um novo ciclo de expansão, porém fazendo questão de manter uma posição central nas decisões estratégicas da companhia. Em contrapartida, os fundos internacionais demonstraram interesse em adquirir o controle total (100%), rejeitando modelos que mantivessem o atual controlador como sócio relevante.
Além do nó na governança, a avaliação financeira do ativo impôs entraves consideráveis às rodadas de conversa. As estimativas da Amil orbitavam na casa dos R$ 17 bilhões, enquanto as propostas de mercado oscilaram entre R$ 15 bilhões e R$ 16 bilhões. O impasse aprofundou-se diante de discordâncias em relação à cobertura de passivos e garantias financeiras exigidas pelos compradores.
Recuperação operacional fortalece poder de barganha
A decisão de interromper a transação também reflete o momento de virada financeira vivido pela Amil. Desde que Seripieri Filho assumiu a operadora junto ao grupo norte-americano UnitedHealth Group, no final de 2023 — em um negócio avaliado em R$ 11 bilhões, com forte peso de dívidas e contingências —, a empresa passou por uma reestruturação severa.
Atualmente atendendo cerca de 3,5 milhões de beneficiários, a operadora trabalha com a perspectiva de encerrar 2026 com um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) próximo a R$ 2,5 bilhões. O avanço na eficiência operacional tirou da Amil a necessidade imediata de capital de socorro, permitindo ao controlador aguardar valuation e termos que considere ideais.
Sócio minoritário e horizonte de abertura de capital
Apesar do desfecho com Bain e Advent, a Amil reforçou que permanece aberta ao diálogo com potenciais investidores. A condição fundamental estabelecida é que os novos aportes ocorram na modalidade de participação minoritária, preservando as diretrizes de gestão implementadas pela atual liderança.
Mercado e analistas avaliam que a busca por um parceiro de capital minoritário — que em projeções anteriores chegou a ser estimada em até R$ 10 bilhões — continua servindo como preparação estratégica para uma eventual abertura de capital (IPO) da companhia no futuro.


