Uma ala do PSD em São Paulo está organizando esforços para apresentar uma candidatura própria ao Senado, ou, alternativamente, para apoiar o deputado federal Ricardo Salles, que é pré-candidato pelo partido Novo. A movimentação é liderada pelo deputado Saulo Pedroso e surge como uma resposta à exclusão do PSD na chapa majoritária do governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos.

O deputado Pedroso destacou a insatisfação com a situação atual, explicando que, como contrapartida ao tratamento recebido de outros partidos como PL, União Brasil e Republicanos, o PSD pretende lançar um candidato ao Senado ou juntar seus recursos de campanha ao apoio a Salles. "Estamos fazendo um movimento para que a gente, de duas uma, lançar um senador pelo PSD ou pegar nosso tempo de TV e coligar com o Salles", afirmou.

Pedroso mencionou pelo menos quatro possíveis nomes do PSD que poderiam concorrer ao Senado: os ex-prefeitos Fred Guidoni e Paulo Alexandre Barbosa, o deputado federal Carlos Sampaio e até o próprio Gilberto Kassab, atual presidente do partido.

A reclamação do parlamentar se baseia no fato de que, apesar de o PSD controlar um terço das prefeituras do estado de São Paulo, totalizando 220 de 645, o partido foi afastado da chapa governamental de Tarcísio. A vaga de vice, que o PSD ocupava até 2022, foi concedida ao MDB, enquanto as duas candidaturas ao Senado foram alocadas ao PP e ao PL, com Guilherme Derrite e André do Prado, respectivamente.

"O candidato do PL representa o desejo pessoal de Valdemar da Costa Neto e da família Bolsonaro, não o municipalismo", criticou Pedroso, ressaltando a legitimidade do PSD, que possui uma significativa base de prefeitos, para representar essa vertente. O deputado enfatizou que está dialogando individualmente com todos os possíveis candidatos do PSD em São Paulo, embora reconheça que o atual presidente da Alesp, André do Prado, tenha mais afinidade dentro da chapa de candidaturas a deputados estaduais.

Apesar das tensões, Pedroso reafirmou que o PSD mantém seu apoio à reeleição de Tarcísio de Freitas, embora questione o tratamento recebido por parte de sua equipe. "Eles nos veem como adversários políticos", desabafou, apontando para um possível ciúme em relação ao trabalho que o PSD vem realizando desde as eleições municipais, quando conquistou diversas prefeituras que pertenciam a outras legendas da base do governador.