Na última quinta-feira (13/8), uma estudante trans de 18 anos foi alvo de um ataque violento dentro do Centro Educacional 02 de Taguatinga, conhecido como Centrão. O incidente, que chocou a comunidade escolar, teve um desdobramento alarmante: uma das agressores não era aluna da instituição.

De acordo com informações fornecidas pela família da vítima, a jovem teria invadido a escola utilizando o uniforme de uma colega que participou do ataque. Natalia Carmo, irmã da vítima, destacou que a presença da agressora, que não estava matriculada na escola, sugere que a agressão foi premeditada e motivada por transfobia.

O momento da agressão ocorreu no refeitório, onde a vítima estava lanchando. Ao se dar conta de que estava sendo observada por duas meninas, a estudante se levantou, mas uma delas se aproximou para discutir, enquanto a outra a atacou pelas costas. Natalia descreveu: "Ela já pegou pelas costas e puxou seu cabelo enquanto a outra discutia. Essa segunda menina nem é da escola; ela já foi para lá com a intenção de agredir minha irmã por ela ser quem é. Ou seja, foi transfobia".

O caso ganhou contornos ainda mais preocupantes quando a agressora decidiu compartilhar um vídeo do ataque em suas redes sociais, acompanhando a gravação da frase: "Traveco aqui leva é na cara". Além disso, ela publicou outros stories, afirmando que na escola dela "traveco não se cria" e que a vítima "ia apanhar mesmo". Essa atitude gerou uma onda de ameaças e ofensas transfóbicas contra a aluna, ampliando a violência psicológica que ela enfrenta.

Desde o incidente, a aluna não retornou às aulas e está visivelmente abalada, segundo sua irmã, o que levantou preocupações sobre sua segurança e bem-estar. A família já considera a transferência da estudante para outra escola, uma vez que as medidas disciplinares aplicadas à agressora foram insuficientes. "Ela deveria ser expulsa, porque agora minha irmã foi expulsa indiretamente, pois teremos que procurar outra escola pela segurança dela", lamentou Natalia.

Após o ataque, ambas as meninas envolvidas foram levadas à Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) para prestar depoimento. A estudante agredida, por ser maior de idade, também compareceu à 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul) para registrar a ocorrência.

A Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) se manifestou sobre o caso, afirmando que a Coordenação Regional de Ensino de Taguatinga está ciente do acontecido e está acompanhando os desdobramentos. A secretaria informou que adotou medidas disciplinares e pedagógicas, incluindo a suspensão das alunas envolvidas e que a gestão da escola registrou um boletim de ocorrência para que as autoridades tomem as providências necessárias.

Além disso, a SEEDF reafirmou seu compromisso contra qualquer forma de discriminação ou violência no ambiente escolar e declarou que está disposta a colaborar com as investigações.