O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou incômodo em relação a alguns banqueiros que participaram de um jantar exclusivo com o senador Flávio Bolsonaro (PL) na noite da última quinta-feira, 27 de agosto, em São Paulo. Nos bastidores, Lula não hesitou em compartilhar seus sentimentos de desapontamento com assessores próximos.
Entre os banqueiros que chamaram a atenção do presidente, Luiz Carlos Trabuco, presidente do Conselho de Administração do Bradesco, destacou-se como uma das maiores decepções. Além de participar do jantar, Trabuco também recebeu Flávio na sede do banco na mesma tarde, o que foi visto com desagrado por Lula.
Trabuco, que é membro do “Conselhão” do governo Lula, sempre teve uma relação próxima com o presidente e outros integrantes da administração. O banqueiro, que frequentemente tem encontros reservados com Lula, não esperava que sua presença na reunião com Flávio causasse tamanho desconforto.
Outro nome que contribuiu para a insatisfação do presidente foi o de Milton Maluhy Filho, atual CEO do Itaú e também membro do Conselhão. Informações que chegaram até Lula sugerem que Maluhy teve um papel na articulação do encontro, o que não agradou o presidente.
De acordo com assessores, Lula foi alertado sobre o jantar por outros banqueiros aliados alguns dias antes do evento, o que só aumentou sua irritação. O jantar foi realizado na residência de Marcelo Kayath, antigo presidente do Credit Suisse no Brasil, que em 2022 tinha declarado apoio a Lula, mas que agora parece ter mudado sua posição política.
Vale ressaltar que, em 2026, Kayath passou a apoiar Flávio Bolsonaro e, em maio deste ano, organizou um jantar inicial para o senador com empresários e representantes do mercado financeiro em Miami, nos Estados Unidos. Essa mudança de lealdade tem levantado questionamentos sobre as relações entre banqueiros e a política brasileira.
O cenário atual revela um ambiente político delicado, onde as alianças e descontentamentos entre figuras influentes do setor financeiro e do governo podem ter um impacto significativo nas relações entre o Executivo e o setor privado.




