Faltando exatamente três meses para as eleições de 2026, o quadro político brasileiro se intensifica, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na dianteira das intenções de voto, mas sob a pressão do escândalo do Banco Master e a ameaça de novos aumentos de tarifas por parte dos Estados Unidos.
Durante a última semana antes do período eleitoral, que impõe restrições à publicidade institucional, Lula acelerou sua agenda, participando de inaugurações e promovendo eventos em diversas cidades. Em um ato amplamente divulgado, ele anunciou ações em 12 municípios, contando com a presença de ministros e autoridades, reforçando sua presença política.
No cenário oposto, a direita brasileira enfrenta uma crise significativa, com um rompimento notável entre figuras proeminentes. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), um dos principais adversários de Lula, se vê no centro de uma divisão familiar que envolve a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
A tensão familiar ganhou destaque quando Michelle fez declarações em suas redes sociais, acusando Flávio de desrespeito e humilhação durante uma conversa telefônica. A discórdia se origina de divergências em relação à articulação política do PL no Ceará, onde Michelle defende apoio a candidatos alinhados ao bolsonarismo, enquanto Flávio busca aproximação com Ciro Gomes (PSDB).
Flávio, por sua vez, tentou minimizar a situação, desmentindo as acusações de sua madrasta, mas relatos de desentendimentos frequentes dentro da família surgem como um indicativo de uma relação desgastada, especialmente após a prisão de Jair Bolsonaro em agosto de 2025.
Recentemente, o conflito se intensificou, levando Michelle a renunciar à presidência do PL Mulher, enquanto sua candidatura ao Senado parece ameaçada. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, indicou que a ex-primeira-dama pode não concorrer ao Senado, embora essa desistência ainda não tenha sido oficializada. Existe a percepção entre aliados e adversários de que Michelle teria ambições políticas mais grandiosas, podendo vislumbrar um futuro no Palácio do Planalto.
Enquanto isso, Lula continua a dominar as pesquisas. De acordo com dados da AtlasIntel/Bloomberg divulgados recentemente, o presidente possui 46,3% das intenções de voto, em comparação com 36,6% de Flávio. No segundo turno, Lula aparece com 48,8% contra 42,3% do senador. Esses números indicam uma perda de 5,7 pontos percentuais para Flávio desde abril, quando ambos estavam empatados.
A situação se complica ainda mais com a investigação envolvendo o Banco Master, onde o senador Jaques Wagner (PT-BA) foi alvo de operações da Polícia Federal, levando o governo a considerar seu afastamento da liderança no Senado para minimizar danos políticos. Pesquisas indicam que 37,6% dos eleitores acreditam que aliados de Lula estão mais envolvidos no escândalo, o que representa uma situação delicada para o governo.
Outro fator que pode influenciar o cenário eleitoral é a potencial imposição de tarifas pelos Estados Unidos, que Flávio Bolsonaro argumenta que beneficiariam Lula. Ele enviou um ofício ao governo norte-americano solicitando a suspensão da medida, alegando que as tarifas poderiam prejudicar a economia americana e favorecer o governo brasileiro. O Itamaraty respondeu, alertando que a investigação que fundamenta a tarifa é politicamente motivada.
Em resposta a essa situação, o governo brasileiro apresentou propostas de compensação ao governo dos EUA, buscando evitar a aplicação de tarifas que poderiam impactar a economia nacional e o panorama eleitoral. As negociações ainda estão em andamento, e os resultados podem ter repercussões significativas na corrida presidencial deste ano.




