No dia 3 de setembro de 2026, representantes da oposição se reuniram no Supremo Tribunal Federal (STF) para protocolar uma solicitação formal contra o ministro Alexandre de Moraes. O deputado Zé Trovão, do PL de Santa Catarina, argumentou que a Corte deve considerar possíveis nulidades em processos sob a relatoria de Moraes, especialmente aqueles ligados ao fatídico 8 de Janeiro e ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A medida ocorre após o ministro André Mendonça, também do STF, ter decidido levantar o sigilo de investigações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e sua relação com Moraes, o procurador-geral da República Paulo Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A investigação revela que contratos envolvendo Vorcaro e a esposa de Moraes totalizam cifras que chegam a R$ 158 milhões. Além disso, o empresário é acusado de realizar pagamentos ao escritório da advogada, utilizando aeronaves.
Zé Trovão defendeu que a gravidade das informações demanda uma análise cuidadosa da conduta de Moraes em processos judiciais. Para o deputado, seria apropriado que o ministro se afastasse temporariamente de suas funções até que todas as circunstâncias envolvendo Vorcaro e sua esposa sejam completamente esclarecidas. “Alexandre de Moraes não pode continuar atuando na Suprema Corte enquanto as acusações que o cercam não forem dirimidas”, enfatizou Trovão em coletiva à imprensa.
O pedido de Zé Trovão não se limita apenas aos processos relacionados a Jair Bolsonaro. Ele questionou a validade de todas as decisões proferidas por Moraes, afirmando que, caso as acusações sejam comprovadas, isso comprometeria a legitimidade de seus julgamentos. “Se comprovadas as irregularidades, é evidente que os processos em que ele atuou não teriam validade jurídica alguma”, destacou.
Moraes é alvo de incertezas sobre sua imparcialidade, uma vez que Trovão se questionou: “Como posso confiar na imparcialidade de alguém que pode estar relacionado a um esquema criminoso?”.
Relatório da Polícia Federal
As evidências que fundamentam as alegações contra Moraes estão detalhadas em um extenso relatório de 218 páginas, elaborado pela Polícia Federal (PF) após a análise do celular de Vorcaro, confiscado durante a Operação Compliance Zero. Este relatório contém mensagens, registros de chamadas e contratos que revelam a extensão das relações entre os envolvidos.
A Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025, visa investigar fraudes na venda de carteiras de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília. Em sua primeira fase, Vorcaro foi preso em 18 de novembro de 2025. O relatório, solicitado por Mendonça para elucidar uma possível rede de influência ligada a Vorcaro, foi entregue à Corte em 27 de agosto de 2026.
Uma parte das mensagens analisadas utiliza o recurso de visualização única do WhatsApp, o que dificultou a reconstrução de diálogos completos, especialmente aqueles entre Vorcaro e o contato denominado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. A PF ressalta que a análise não é exaustiva, reconhecendo a possibilidade de que outros elementos relevantes ainda não tenham sido detectados.
As informações do relatório tornaram-se públicas no dia 1º de setembro de 2026, após o ministro Mendonça optar por revogar o sigilo da ação em curso, trazendo à tona uma questão que promete gerar grandes discussões no cenário político brasileiro.




