A Justiça Federal deu um passo significativo na investigação do acidente aéreo envolvendo a Voepass, ocorrido em agosto de 2024, ao permitir o envio de documentos relacionados ao caso para o Núcleo de Combate à Corrupção (NCC) do Ministério Público Federal (MPF). A medida visa apurar a possível improbidade administrativa da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) em sua supervisão sobre a companhia aérea.
O Tribunal Regional Federal da 3ª Região informou que os autos da investigação estão sob sigilo, mas a divulgação foi autorizada a pedido do delegado da Polícia Federal responsável pela apuração. Essa decisão é um reflexo da seriedade com que as autoridades estão tratando as circunstâncias que rodeiam a queda do voo da Voepass, que resultou na morte de 62 pessoas.
No relatório final apresentado pela Polícia Federal, concluiu-se que a queda do avião foi provocada tanto pelo acúmulo de gelo na aeronave quanto por falhas na operação da tripulação. A ANAC, segundo a PF, já havia identificado irregularidades na manutenção da aeronave antes do trágico incidente. Para garantir que a situação fosse devidamente investigada, a PF encaminhou essas informações ao MPF, buscando responsabilizar possíveis infratores por atos de improbidade.
Além disso, os dados foram enviados para a Corregedoria Regional da PF em São Paulo, que deverá avaliar a ocorrência de crimes como prevaricação ou corrupção por parte de algum funcionário da ANAC. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) também havia indicado problemas na fiscalização da ANAC, que, apesar de ter detectado falhas na companhia, permitiu que a Voepass continuasse suas operações.
Os problemas identificados incluem deficiências na manutenção das aeronaves, na comunicação de falhas e na supervisão técnica, os quais já haviam sido documentados em inspeções realizadas entre janeiro de 2022 e agosto de 2024. Mesmo frente a essas irregularidades, a empresa continuou a operar sem restrições.
A investigação levou ao indiciamento de 16 funcionários e ex-funcionários da Voepass, acusados de crimes como atentado contra a segurança do transporte aéreo e falsidade ideológica. Entre os indiciados estão pilotos, despachantes operacionais e diretores da empresa, todos envolvidos de alguma forma com o voo que resultou na tragédia.
O acidente ocorreu quando a aeronave, que partia de Cascavel com destino a Guarulhos, caiu em um condomínio em Vinhedo, interior de São Paulo. Desde então, as investigações têm sido intensas, com as autoridades buscando esclarecer todas as circunstâncias que levaram a essa grande perda de vidas.
A Voepass, que até o momento não se manifestou formalmente sobre os desdobramentos da investigação, enfrenta um momento crítico em sua operação e reputação. A sociedade aguarda ansiosamente os resultados das apurações que buscam garantir a transparência e a segurança no setor aéreo brasileiro.




